Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

Discussão de temas relacionados com notafilia

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VMNV
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Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#1 Mensagem por VMNV » sábado out 01, 2011 7:14 am

Vamos dar inicio ao concurso para eleger a Nota do Mês de Outubro-Tema: Comemorativas e Acontecimentos Históricos

Aqui ficam as regras do concurso:

1ª Os foristas interessados em concorrer à eleição da Nota do Mês, só podem colocar uma nota, respeitando o tema mensal até ao dia 21 - 24:00h desse mês, a partir daqui o tópico é considerado encerrado passando à fase de eleição por todos os foristas que assim o entenderem, que terminará às 24 horas do último dia do mês.

2ª O número mínimo necessário para se realizar e eleição é de 9 (nove) notas. Caso esse número não seja atingido no prazo estipulado, esse será alargado por mais 48 horas, ou seja até às 24 horas do dia 23. Se mesmo assim não for atingido o mínimo, a eleição ficará sem efeito.

3ª A colocação da nota, consiste só unicamente de uma foto de cada face da respectiva nota acompanhada de alguns dados como valor facial, ano, etc...
Pede-se também, se possível, que as notas concorrentes sejam acompanhadas de um texto informativo. Há algunss temas em que essa informação será importante. (Personalidades, por exemplo)

4ª É permitida a colocação de um conjunto de notas, desde que tenham uma relação entre si, tornando-se uma mais valia na apresentação.

5ª Cada forista concorrente não pode votar na sua própria nota. Contudo se não participar na votação, terá uma penalização equivalente à média da pontuação obtida na sua nota (exemplo: se recebeu 45 pontos de 9 foristas, será penalizado em 45 a dividir por 9, que serão 5 pontos).

6ª Os “juizes” além da sua pontuação, podem deixar um comentário, por exemplo: O motivo do seu voto. Cada forista deverá pontuar 8 (oito) notas, do seguinte modo:

10 Pontos
8 Pontos
6 Pontos
5 Pontos
4 Pontos
3 Pontos
2 Pontos
1 Ponto

Vencerá a nota que reunir mais pontos à hora do fecho das votações (24 horas do último dia do mês do concurso).

Para facilitar a votação, será atribuído um número de ordem a cada nota, pelo que irá ser publicada logo no dia 22 ou 24, uma lista com as notas concorrentes.

7ª Em caso de empate pontual, será considerado vencedor aquele que tiver:

a) Mais pontuações de 10 pontos
b) Mais pontuações de 8 pontos
c) Mais pontuações de 6 pontos

8ª Os 3 primeiros classificados, passarão a figurar na galeria das notas vencedoras, em tópico existente para esse efeito.

9ª As notas expostas, não podem concorrer mais nenhuma vez durante esse ano, podendo concorrer no ano seguinte, excepto as 12 vencedoras dos anos anteriores. As 12 primeiras (uma de cada mês) concorre à nota do ano, em Janeiro do ano seguinte, em simultâneo com a desse mês, mas num post à parte.

Está aberto o concurso!
Boa sorte a todos :thumbupleft:



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JPMatos
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#2 Mensagem por JPMatos » sábado out 01, 2011 2:13 pm

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Nota:50 pesetas.
Magistrado:Alfonso XIII.
Data:15 de Agosto de 1928.
Representação:A rendição de Breda.



Historia:
Estavam a suceder no final do século XVI e início do XVII. Os Países Baixos (liderados pelo seu nobre mas importante, Guilherme de Orange) estavam imersos na Guerra dos Oitenta Anos ou guerra de Flandres, na qual lutavam pela independência da Espanha.

Em 1590, com Maurício, príncipe de Orange (quarto filho de Guilherme) como estatúder das Províncias Unidas dos Países Baixos, a cidade de Breda foi tomada pelos holandeses. A trégua dos doze anos manteve o país em calma entre 1609 e 1621. Quando o rei da Espanha Filipe IV subiu ao trono em 1621, a trégua expirou e a guerra recomeçou. A intenção de Filipe IV era recuperar esta cidade tão importante da qual poderia manobrar-se para outras conquistas.

Filipe IV nomeou como chefe supremo da expedição à Breda seu melhor estrategista ao seu serviço naquela época, o aristocrata genovês Ambrósio de Spinola, que se pôs no comando de 30.000 homens, ademais dum bom número de generais espanhóis, como os famosos militares marquês de Leganés e D. Carlos Coloma.

A cidade de Breda era defendida por Justino de Nassau, da casa de Orange. O cerco à cidade foi uma lição de estratégia militar.

As crônicas da época contam que a defesa de Breda chegou a ser heróica, mas finalmente a guarnição teve que se render. Justino de Nassau capitulou a 5 de Junho de 1625. Foi uma capitulação honrosa que o exército espanhol reconheceu como tal, admirando no seu inimigo a valentia dos assediados.

Velázquez desenvolve o tema sem vanglória nem sangue. Os dois protagonistas estão no centro da cena e parecem dialogar mais como amigos do que como inimigos. Justino de Nassau aparece com as chaves de Breda na mão e faz ademão de ajoelhar-se, o qual é impedido pelo seu adversário que põe uma mão sobre seu ombro para evitar que se humilhe. Neste senso, é uma ruptura com a tradicional representação do herói militar, que costumava representar-se erguido sobre o derrotado, humilhando-o. Igualmente afasta-se do hieratismo que dominava os quadros de batalhas.


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Cumprimentos,JPMatos.
:fcp: :fcp: .

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VMNV
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#3 Mensagem por VMNV » domingo out 02, 2011 11:47 am

Chile 10.000 Escudos 1967-76 Pick#148

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Bernardo O'Higgins

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_O'Higgins

Batalha de Rancagua

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Rancagua

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José Gomes
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#4 Mensagem por José Gomes » domingo out 02, 2011 2:14 pm

BRASIL, 200 Cruzeiros, 1964, C 043, catálogo Cláudio Amato.

Verso: efígie de D. Pedro I, Primeiro Imperador do Brasil.

Reverso: O Grito do Ipiranga, ou o Grito de Independência do Brasil, certamente, o fato histórico mais importante da grande Nação Brasileira, em 7 de setembro de 1822.

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O brado de D. Pedro I "INDEPENDÊNCIA, OU MORTE!" repercurte até hoje.

Parabéns pelo belo e importante tema para o presente concurso. :thumbs:

SANCHO
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#5 Mensagem por SANCHO » sábado out 08, 2011 5:17 pm

TRATADO de SIMALAMBUCO 1885

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João Paulo Silva
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#6 Mensagem por João Paulo Silva » sábado out 08, 2011 8:48 pm

Aclamação de D.João IV após a Restauração da Independência de Portugal em 1640
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A grande preparação para a revolta
A ideia de recuperar a independência era cada vez mais poderosa e a ela começaram a aderir todos os grupos sociais.
Os Burgueses estavam muito desiludidos e empobrecidos com os ataques aos territórios portugueses e aos navios que transportavam os produtos que vinham dessas regiões. A concorrência dos Holandeses, Ingleses e Franceses diminuía-lhes o negócio e os lucros.
Os nobres descontentes viam os seus cargos ocupados pelos Espanhóis, tinham perdido privilégios, eram obrigados a alistar-se no exército espanhol e a suportar todas as despesas. Também eles empobreciam e era quase sempre desvalorizada a sua qualidade ou capacidade! A corte estava em Madrid e mesmo a principal gestão da governação do reino de Portugal, que era obrigatoriamente exigida de ser realizada "in loco", era entregue a nobres castelhanos e não portugueses. Estes últimos viram-se afastados da vida da corte e acabaram por se retirar para a província, onde viviam nos seus palácios ou casas senhoriais, para poderem sobreviver com alguma dignidade imposta pela sua classe social.
Portugal, na prática, era como se fosse uma província espanhola, governada de longe. Os que ali viviam eram obrigados a pagar impostos que ajudavam a custear as despesas do Império Espanhol que também já estava em declínio.
Foi então que um grupo de nobres - cerca de 40 (conjurados)- se começou a reunir, secretamente, procurando analisar a melhor forma de organizar uma revolta contra Filipe IV de Espanha. Uma revolta que pudesse ter êxito.
A revolta do 1º de Dezembro de 1640
Começava a organizar-se uma conspiração para derrubar os representantes do rei em Portugal. Sabiam já que teriam apoio do povo e também do clero.
Apenas um nobre tinha todas as condições para ser reconhecido e aceite como candidato legítimo ao trono de Portugal. Era ele D. João, Duque de Bragança, neto de D. Catarina de Bragança, candidata ao trono, em 1580.
Em Espanha, o rei Filipe IV também enfrentava dificuldades: continuava em guerra com outros países; o descontentamento da população espanhola aumentava; rebentavam revoltas em várias regiões - a mais violenta, a revolta da Catalunha (1640), criou a oportunidade que os portugueses esperavam. O rei de Espanha, preocupado com a força desta, desviou para lá muitas tropas.
Faltava escolher o dia certo. Aproximava-se o Natal do ano 1640 e muita gente partiu para Espanha. Em Lisboa, ficaram a Duquesa de Mântua, espanhola e Vice-rei de Portugal (desde 1634), e o português seu Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos.
Os nobres revoltosos convenceram D. João de Bragança, que vivia no seu palácio de Vila Viçosa, a aderir à conspiração.
No dia 1 de Dezembro, desse ano, invadiram de surpresa o Palácio real (Paço da Ribeira), que estava no Terreiro do Paço, prenderam a Duquesa, obrigando-a a dar ordens às suas tropas para se renderem - e mataram Miguel de Vasconcelos.
In Wikipedia
João Paulo Silva

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EUROESCUDO
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#7 Mensagem por EUROESCUDO » sábado out 08, 2011 9:04 pm

500$00 Ch 9


Estas notas, de apurada qualidade técnica, tiveram existência relativamente curta, em consequência do assalto à Agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, perpetrado em 17 de Maio de 1967. Neste assalto foram roubadas 12.000 notas desta chapa (OB11001 a 14000, RS07001 a 10000, VD01001 a 02000 e VD15001 a 20000), o que deu origem à retirada antecipada de circulação de toda a emissão. No aviso público de retirada da circulação, de 30 de Junho de 1967, o Banco informava que “… as notas roubadas não foram postas em circulação pelo que não possuem curso legal e poder liberatório, nem são susceptíveis, a qualquer tempo, de reembolso ou troca …”.
A gravação das chapas originais e a estampagem das notas foram confiadas à firma inglesa Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd, New Malden, Surrey.


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Características técnicas:

A frente apresenta duas estampagens calcográficas: uma, a castanho-escuro, com a efígie de D. Francisco de Almeida (1450?-1510), primeiro vice-rei da Índia, e outra, a castanho-esverdeado, constituída pela cercadura com trabalho de guilhoché em linha branca e linha cheia e por finas linhas paralelas a proteger a efígie. O fundo da frente é impresso em máquina “offset” de duas impressões simultâneas, com distribuição de cores pelo sistema íris, em faixas à menos dimensão da nota. Nas margens utilizaram-se desenhos especiais, do tipo gravura numismática, apresentando as faixas em íris aspecto visual avermelhado nos extremos e acinzentado na parte central.

A única estampagem calcográfica do verso, a castanho-escuro, contém uma vinheta representando D. Francisco de Almeida a receber a embaixada do rei de Narsinga, e assenta sobre um fundo com características semelhantes ao da frente.
O texto complementar (data, série, numeração, as palavras “O Governador” e “O Administrador” e chancelas) foi impresso tipograficamente, a preto, nas oficinas do Banco.

Papel:

Fabricado por: Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchuch, Hampshire.

Marca de água: no lado esquerdo, o retrato de D. Francisco de Almeida, reprodução ampliada da efígie estampada na frente da nota, e, na parte inferior, numa só linha, a legenda “Banco de Portugal”.

Cortesia: tm1950
Fonte: http://tm1950.no.sapo.pt/500%20ch9.pdf
C/ Melhores cumprimentos:
M E N D E S
€uroe$cudo

Consulta Rápida do Fórum ---- Literatura On-line [PDF]

limburgo
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#8 Mensagem por limburgo » domingo out 09, 2011 10:13 am

A minha deste mes: 200 anos da constituicao da Republica do Haiti
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Se a inveja matasse a humanidade já nao existia.
Cumps Paulo

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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#9 Mensagem por colecionador » domingo out 16, 2011 11:49 am

NOTA DE 2.000$00 CHAPA 1


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VERSO (Grande feito historico dos Navegadores Portugueses ao conseguirem dobrar o CABO DAS TORMENTAS a que mais tarde passou a chamar-se CADO DA BOA ESPERANÇA)
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FRENTE (BARTOLOMEU DIAS navegador que comandou a expedição)
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Luis Mestre
Nota a nota a colecção cresce ...mas nunca estará completa.

http://notasmundocolecionador.blogspot. ... -beja.html

http://www.bialto.pt/active_auctions.ph ... &category=

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valdemar1959
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Re: Nota do Mês de Outubro-Comemorativas e Acont. Históricos

#10 Mensagem por valdemar1959 » segunda out 17, 2011 12:21 am

A Reconquista de Loanda ( Angola ) Em 1648

Para este mês a minha participação são 2 notas de 20 Angolares ( Angola ).

Verso:
Efígie de Salvador Correia de Sá e Benevides, e também a Fortaleza de S. Miguel em são Paulo da Assunção.
Reverso:
A Reconquista de Loanda em 1648.

20 Angolares datados 01/12/1944. Efígie Salvador Correia de Sá e Benevides.....................................................Salvador Correia de Sá e Benevides
Imagem........ImagemImagem

20 Angolares datados 01/03/1951. Efígie Salvador Correia de Sá e Benevides
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Fortaleza de São Miguel de Luanda, Angola.

A Fortaleza de São Miguel de Luanda localiza-se no antigo monte de São Paulo, nas proximidades da ponte da Ilha de Luanda, na cidade de Luanda, província de Luanda, em Angola.

................Imagem..........Imagem..........Imagem
.........................Fortaleza de São Miguel de, Luanda ...................Fortaleza de São Miguel de Luanda,Angola:Entrada ........................ Luanda vista da fortaleza.

História

Erguida por determinação do primeiro Governador, Paulo Dias de Novais, em 1575, é a primeira estrutura defensiva construída em Luanda (e em Angola).

No contexto da União Ibérica, a cidade de São Paulo de Luanda foi alçada à categoria de capital administrativa da região de Angola em 1627. Para a sua defesa, foi erguida uma nova fortificação, concluída em 1634.

O forte e a cidade caíram em mãos da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais no período de 24 de Agosto de 1641 a 15 de Agosto de 1648, quando foram recuperadas para a Coroa Portuguesa por uma expedição armada na Capitania do Rio de Janeiro, no Brasil, por Salvador Correia de Sá e Benevides. Durante o período de ocupação Neerlandesa foi denominado como Fort Aardenburgh. Em 1650 o governador Salvador Correia de Sá e Benevides apresentou ao Conselho Ultramarino os novos planos de fortificação de Luanda, a cargo do engenheiro francês Pedro Pelique, que trouxera do Rio de Janeiro (SANTOS, 1967:22). O forte, que até à invasão holandesa se chamara de São Paulo, teve o seu nome trocado para São Miguel, santo da particular devoção de Salvador Correia de Sá.

Sob o governo de Francisco de Távora (1669-1676), o forte foi reconstruído em alvenaria, ficando concluídos um baluarte e duas cortinas. Sob o governo de César Meneses (1697-1701) foi erguida, no interior da fortificação, a Casa da Pólvora (op. cit., p. 27).

A Portaria de 15 de Setembro de 1876 estabeleceu o Depósito de Degredados de Angola, nas dependências da fortaleza. Entretanto, a instituição só começou a funcionar em 1881, sendo realizadas algumas obras de adaptação para esse fim, como a construção de um edifício de dois pavimentos.

No século XX, com a extinção do Depósito de Degredados, por Portaria de 8 de Setembro de 1938, do então ministro das Colónias Francisco José Vieira Machado, a fortaleza foi classificada como Monumento Nacional por Decreto Provincial de 2 de Dezembro do mesmo ano. Nela veio a instalar-se, no ano seguinte, o Museu de Angola, criado pela portaria n.º 6, tendo sido feitas as necessárias obras de adaptação, como a colocação de painéis de azulejos numa casamata com cenas da história de Angola e de exemplares da fauna e flora nativos.

Em 1961 o acervo do museu foi retirado por completo e a fortaleza voltou a assumir funções militares, nela tendo ficado sediado o Comando das Forças Militares Portuguesas.

Após a Independência, em 1978 as dependências da fortaleza passara a albergar o Museu das Forças Armadas.

Considerada como um dos principais patrimónios edificados da capital e do país, em 1995 sofreu intervenções de conservação no exterior do edifício, encontrando-se bem conservada. De propriedade do Estado, está afectada ao Ministério da Defesa e ao Ministério da Cultura.


Reconquista de Angola

A reconquista de Angola foi um episódio passado na Angola Colonial ao qual estão ligadas a História de Angola, a História de Portugal e inclusive a História do Brasil Colonial . Teve lugar no meado do século XVII, nele tendo tido maior destaque a figura do político e militar português Salvador Correia de Sá e Benevides.

Índice

1 Antecedentes
2 O planeamento
3 A campanha
4 Consequências


Antecedentes

No contexto da Guerra Luso-Neerlandesa e da Restauração da Independência Portuguesa, tropas a serviço da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais desembarcam em Luanda, lançando pânico na cidade. O governador Pedro César de Meneses, sem forças suficientes para fazer frente ao inimigo, ordenou a retirada dos portugueses, que teve lugar no dia seguinte, em direção às fortificações do interior do território.

Iniciava-se o período de domínio neerlandês de Angola, que trouxe grandes dificuldades para os portugueses, nomeadamente no Brasil. A colónia portuguesa na América era a maior beneficiária do comércio de escravos, essencial para manter em funcionamento os engenhos de açúcar no litoral. A fim de contrariar esta adversidade e com o objectivo de reconquistar Angola, expulsando os Neerlandeses, foi preparada uma expedição. Para comandá-la foi nomeado Salvador Correia de Sá e Benevides, que acumularia o cargo de governador de Angola. Partindo de Lisboa em Novembro de 1647 via Rio de Janeiro, onde recolheu mais meios, seguiu então para Angola.


O planeamento

A empresa de reconquista era dificultada não apenas pela peculiar situação diplomática em que se achava Portugal ante os Países Baixos, em guerra no Nordeste Brasileiro e aliados na Europa, como pelas dificuldades económicas em que o Reino se encontrava, na iminência da Guerra da Restauração, e pela logística envolvida.

Nesse contexto, um dos principais interessados, se não mesmo o principal, era o poderoso Salvador Correia de Sá. Por essa razão foi incumbido de reconquistar Angola sem dar a entender que Portugal tomara a ofensiva, o que comprometeria a paz com os Países Baixos.

Em 1644, Correia de Sá regressou de Lisboa para o Brasil. Deveria ir primeiro a Salvador, na Bahia, capital do Estado do Brasil, defendê-la em caso de necessidade e seguir para o Rio de Janeiro, para preparar a expedição a Angola, que seria chefiada por Francisco Souto Maior, governador interino da capitania.

No Rio de Janeiro, Correia de Sá preparou e enviou a frota, mas Souto Maior veio a falecer em Massangano ou em cabo Ledo, detido, antes de poder restaurar a colónia. Tendo expedido a frota, Correia de Sá retornou ao reino como General da Frota do Brasil, no comando de 22 navios, entre eles seis galeões construídos no Rio de Janeiro.

Tendo aportado a Lisboa em 1645, teve que comprovar ao Conselho Ultramarino o seu bom proceder, uma vez que se afirmara, à época, que ele, ao passar por Salvador, recusara apoio ao governador-geral António Teles da Silva num plano para atacar o Recife neerlandês. Em Lisboa, Correia de Sá trabalhou nos planos para a reconquista do Nordeste do Brasil e de Angola, na qualidade de Conselheiro do Conselho Ultramarino.

Apesar de entender que se devia levar a guerra aos neerlandeses em Angola, optou-se por celebrar um acordo diplomático para a restituição dos lugares ocupados. Anos antes, Salvador defendera que um acordo desse tipo seria a solução, tendo a acção do Padre António Vieira e do embaixador Francisco de Sousa Coutinho nos Países Baixos se baseado à época nesse entendimento. Diante do pouco progresso obtido pela diplomacia, uma intervenção militar afigurou-se então como melhor opção tanto no Brasil como em Angola.

Correia de Sá partiu de Lisboa, a 24 de Outubro de 1647, com uma pequena esquadra de seis navios e a patente de governador das Capitanias do Sul. Não seriam proclamados os verdadeiros poderes que lhe foram atribuídos nem se declarava que partia para reconquistar Angola. Oficialmente continuava-se a pregar as vantagens de um acordo diplomático.

Chegou ao Rio de Janeiro a 16 ou 29 de Janeiro do ano seguinte (1648), passando a ocupar-se da armada que partiria para Angola, preparando mantimentos e completando as guarnições dos navios. Duarte Correia Vasqueanes, parente de Correia de Sá, governara a capitania entre 1645 e 1648. Ao chegar ao Rio, Correia de Sá assumiu o governo da capitania entre Janeiro e Maio de 1648 e, neste período, ainda remeteu para o governador-geral, na Bahia, uma embarcação de mantimentos, e despachou três navios com sal para a ilha de Santa Ana, onde deveriam ser preparadas as carnes para a viagem. Incumbiu-se pessoalmente dos preparativos da expedição.

Em 9 de Maio de 1648, Correia de Sá reuniu em sua residência na cidade do Rio de Janeiro os capitães de mar e guerra e os pilotos práticos dos galeões e navios da Armada. Após a reunião, Correia de Sá escreveu para o soberano português relatando as providências tomadas: a armada, seria composta por 15 embarcações (quatro adquiridas às suas próprias expensas) com 1400 homens, dos quais 900 de desembarque. Levavam mantimentos para seis meses. O documento cita o nome de todos os principais chefes da Armada. Para fazer face à despesa, Correia de Sá apelou, na capitania, ao patriotismo e aos interesses dos homens mais abastados - aos quais a perda de Angola prejudicava directamente -, despendendo também com liberalidade os seus próprios dinheiros. Para o financiamento, o povo do Rio de Janeiro contribuiu com 60.000 mil cruzados. Para a despesa contribuíram ainda as ordens religiosas, sobretudo a Ordem de São Bento. A esquadra partiria a 12 de Maio, chegando a Luanda em Agosto. A praça do Rio de Janeiro ficava pouco guarnecida de soldados, munições de guerra, peças de artilharia e de mantimentos. Por essa razão, em sua carta ao soberano, solicitava que se enviassem do Reino munições, pólvora e infantes para as fortalezas que defendiam a cidade, que ficava muito exposta às invasões dos Neerlandeses, já em situação difícil em Pernambuco.

Enquanto isso, na Europa, em Junho de 1648 celebrou-se a paz entre os Estados Gerais e a Espanha, e poucos dias depois chegavam notícias da vitória luso-brasileira sobre os holandeses nas batalhas dos Guararapes, na capitania de Pernambuco. Correia de Sá transmite a Dom João IV e a Luís Pereira de Castro, por carta de 2 de Julho de 1648, que "depois de Guararapes, vencer os neerlandeses começava a parecer possível". Enquanto isso, no reino, o padre António Vieira continuava a pregar um acordo diplomático, acreditando estar Angola perdida, sem saber que Correia de Sá já se encontrava a caminho de Angola.

A armada de Correia de Sá levantou ferros do Rio de Janeiro em fins de Maio de 1648, comboiando e protegendo, até certa altura da viagem, a frota de açúcar que ia para Portugal. Os seus números constam de documento do Arquivo Histórico Colonial, nº 641, caixa nº 2 - Rio de Janeiro. António de Oliveira de Cadornega, na sua História Geral das Guerras Angolanas, tomo II, página 3, afirma que eram 12 navios e 1200 homens.

Uma carta do padre jesuíta António do Couto, dirigida ao seu superior provincial, descreve minuciosamente a expedição, a qual integrou, afirmando que a causa da demora no Rio de Janeiro foi o receio de um ataque neerlandês de surpresa à cidade.

Outro padre jesuíta, João de Almeida, nascido na Inglaterra e criado no Brasil, onde era tido como homem santo, entretanto, escreveu a Salvador Correia de Sá recomendando-lhe que partisse na terça-feira, dia 12 de Maio, por ser dia dedicado aos anjos, que seria feliz com as suas armas.


A campanha

A frota chegou a Quicombo a 12 de Julho de 1648. Dias depois, uma tempestade tirou a vida de 300 homens entre eles o almirante, Baltasar da Costa de Abreu. Comentam autores portugueses que nunca empresa tão importante fora intentada com tão pequenas forças. A construção de um fortim na enseada de Quicombo (o Fortim do Kikombo) permitiu estabelecer comunicações com os portugueses na região que, desde a perda de Angola, se tinham refugiado no Forte de Massangano.

Usando como pretexto as hostilidades que os Neerlandeses moviam aos remanescentes da antiga guarnição portuguesa, Correia de Sá declarou que aquilo era uma flagrante quebra da paz, o que o autorizava a pedir-lhes uma satisfação. Seguiu por mar até São Paulo de Luanda, onde aportou em Agosto. Propôs aos Neerlandeses que abandonassem a cidade, ocupada havia sete anos. Participou-lhes os motivos da sua vinda, as suas razões de queixa, declarando-lhes que, como eles não respeitavam a paz, também ele se não julgava obrigado a deixar de a infringir, e portanto que exigia que se entregassem. Surpreendidos com esta audácia, os Neerlandeses avaliaram em maior do que era o poder dos assaltantes, e pediram 8 dias para tomarem uma decisão. Na realidade desejavam tempo para que retornassem à cidade 300 soldados, ausentes no interior em busca de suprimentos. Salvador concedeu apenas três dias e, a 14 de Agosto fez desembarcar, em chalupas, a meia légua da cidade, 650 soldados e 250 marinheiros, deixando 180 nos navios com muitas figuras pelas enxárcias e pelas amuradas para que, de longe, se julgasse muito mais numerosa a tripulação dos navios.

Os Neerlandeses, repelidos de todos os pontos exteriores, refugiaram-se na Fortaleza de São Miguel de Luanda e no Forte de Nossa Senhora da Guia, tendo abandonado com tanta pressa o Fortim de Santo António, que não tiveram tempo de encravar mais do que duas peças de artilharia das oito que o fortim possuía. Aproveitou-as Correia de Sá, e juntando-as, a quatro meios canhões que mandou desembarcar, formou uma bateria que principiou a bombardear a fortaleza, causando pouco dano, mas produzindo grande terror à guarnição Holandesa, assombrados da rapidez com que a bateria se assentara. Viu, porém, Correia de Sá que seria demorado o êxito da bateria e, premido pela necessidade de impedir que o inimigo se reforçasse, ordenou, no dia seguinte (15 de Agosto), o assalto às duas fortalezas ocupadas pelo inimigo. Embora temerário, dado que as fortalezas se encontravam guarnecidas por 1.200 soldados europeus e outros tantos africanos, o assalto foi vitorioso. Após uma escalada inicial em que os assaltantes foram repelidos, Correia de Sá ordenou reagrupar as forças, contando 163 mortos e 160 feridos, cerca de um terço do seu efectivo. Preparava-se para ordenar um segundo assalto quando, com surpresa, viu surgir um parlamentário que vinha propor uma capitulação. Correia de Sá, de imediato, aceitou-a, concedendo todas as honras militares, facilitando ao inimigo a amnistia que pediram para os seus partidários. Assinada a capitulação, no dia seguinte (16 de Agosto) saíram das duas fortalezas, onde as muralhas se encontravam quase intactas, 1.100 homens que passarem diante de menos de 600, número a que estava reduzido o exército sitiador.

Havia já cinco dias que os portugueses estavam na posse das fortalezas, quando surgiu na cidade, vindo do sertão, um corpo de 250 homens acompanhados por mais de 2.000 guerreiros Jagas, súbditos da rainha Ginga. Antevendo uma situação desse tipo, Correia de Sá fizera embarcar em três navios a guarnição Holandesa da cidade de sorte que, os recém chegados, vendo-se sós, capitularam também.

Os guerreiros da rainha Ginga, não quiseram sujeitar-se, e arrojaram os maiores impropérios aos Neerlandeses, por os desampararem. A guarnição de Benguela rendeu se a dois navios portugueses sem disparar um tiro, e a da ilha de São Tomé, apenas souberam que Luanda se rendera, partiram, desamparando a ilha e deixando atrás de si a artilharia e munições, de modo que os navios que Correia de Sá enviara para a conquistar, já encontraram a bandeira portuguesa arvorada nos fortes. Do mesmo modo desampararam os Neerlandeses também as suas feitorias de Benguela-a-Velha, de Leango e da Pinda, de forma que, em apenas dois meses, Angola e São Tomé retornaram ao domínio português.

A vitória de Correia de Sá deixou lembrança tão viva na memória dos povos que, ainda em 1812, se celebrava em Luanda uma festa em acção de graças pela vitória a 15 de Agosto.

Expulsos os Neerlandeses, havia ainda que subjugar e punir os africanos que haviam seguido o partido deles. Os principais eram os súbditos da rainha Ginga, e Correia de Sá, dispondo de poucas forças, alistou ao seu exército muitos franceses que integravam a guarnição Holandesa e haviam permanecido em Angola. O comando foi confiado a Bartolomeu de Vasconcelos, que facilmente subjugou os dissidentes, vendo-se a rainha Ginga forçada a pedir a paz.


Consequências

Salvador Correia permaneceu quase três anos e meio no Governo de Angola. Tinham sido nomeados, mas se escusaram, Pedro de Sousa de Castro, Luís de Miranda Henriques e Manuel Freire de Andrade.

A reconquista de Angola resultou na rearticulação do abastecimento de escravos para a Bahia, o Rio de Janeiro e, depois da expulsão dos Neerlandeses, da região Nordeste do Brasil.

Salvador deu impulso a diversas medidas administrativas, favorecendo o desenvolvimento de Luanda. Em 1651 partiu para o Rio de Janeiro, deixando por sucessor Rodrigo de Miranda Henriques. Durante a sua época, além de expulsar definitivamente os Neerlandeses, dominou as tribos africanas revoltadas no interior e fez renascer na região os antigos reinos. Não apenas recuperou os territórios ocupados mas reconstruiu os reinos do Congo, Angola e Benguela, garantindo a mão-de-obra necessária às lavouras do Brasil; religou às feitorias e povoações costeiras os núcleos portugueses do sertão e espalhou a fé católica, impactada pelo novo credo protestante. Por suas exposições ao Conselho Ultramarino, os acontecimentos de Angola foram bem acompanhados.


Origem: Wikipédia
Valdemar Pereira

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