Excelente parelha, com a qualidade a que o Celso já nos habituou. Está uma vez mais de Parabéns.
No que me toca, desconhecia completamente o facto de existirem notas com numeração identica nas séries com letra gótica. É algo que merecia ser aprofundado, bem como o facto das sequências alfabéticas góticas serem tão reduzidas.
Quanto a
_nelson_ Escreveu:
... mas em 1904 ainda estávamos em monarquia e a nota já tem escrito republica ?
o que se passa é o seguinte:
Era prática comum o BP elaborar mais ou menos em simultâneo dois tipos (chapas) de notas para um mesmo valor. Um era lançado em circulação, enquanto o outro ficava guardado e serviria para substituir a série circulante quando esta fosse retirada, ou, como foram os casos "Alves dos Reis" e "Banco da Figueira da Foz", quando circunstancialismos inesperados obrigassem à retirada antecipada da chapa em circulação, quer por um grande número de falsificações, quer por furto de considerável quantidade, como o foram os casos referidos, respectivamente.
No caso vertente, 0$500 rs, é preciso não esquecer que, até 1916, tal valor era representado por moeda metálica de padrão subsidiário - prata.
A emissão de nota com este valor teve pois início em 1891, resultado da crise financeira de então, que levou ao entessouramento da moeda metálica o que obrigou o estado a lançar papel-moeda que culmatasse a falta de meio circulante.
Entre 28JUL1891 e 22ABR1905, circularam então notas de 0$500 rs emitidas pelo BP (chapas 1 e 2).
Desde essa data (22ABR1905) achou o Governo não se justificar a circulação de nota de tão baixo valor, pelo que se procedeu à sua retirada.
Contudo, é certo e seguro que, a essa data, existia no BP uma emissão de notas para esse valor - 0$500 rs chapa 3 - ás quais havia sido gravada a data de 27DEZ1904, porém não foram emitidas, tendo permanecido guardadas no BP.
Com o eclodir da Grande Guerra (1914-18) e com a entrada de Portugal no conflito (1916) e consequente excassez de metal, quer por entessouramento, despesas de guerra e necessidades militares, advieram circunstancialismos que justificaram uma vez mais o Governo de então a suprir a necessidade de meio circulante, pelo que foram as notas da dita chapa 3 (que se encontravam guardadas havia doze anos) emitidas, tendo contudo lhes sido aposto a inscrisão "REPÚBLICA".
1.ª emissão 20JUL1917; retirada de circulação 24JUN1929.