Sempre apreciei bastante as notas portuguesas emitidas durante a Monarquia. Não que eu tenha sangue azul, nem uma explicação racional para esta preferência. Afinal, algumas das notas emitidas em réis são toscas, tecnicamente rudimentares, embora haja muitas e honrosas excepções. Para mim, o período da Notafilia Portuguesa que mais me fascina corresponde às emissões dos anos 20 e 30 do século XX.
Ao longo do tempo fui coligindo uns apontamentos sobre notas, que passo agora a apresentar.
Hoje, debruço-me sobre a nota de 500 Réis de 1 de Julho de 1891.
Esta nota de 500 Réis, sem chapa [Ch.1], surge num período de crise e de grande falta de metais, com a consequente escassez de moeda divisionária.
A nota foi elaborada na Estamparia do Banco de Portugal e o processo utilizado para impressão foi o tipográfico, tanto para os ornatos e texto como para os fundos.
O papel foi fornecido pela casa estampadora Giesecke & Devrient, de Leipzig, na Alemanha e mais tarde também pela casa Blanchet, Frères & Kléber, de Paris, França.
Há duas marcas de água:
A -
Marca de água BANCO DE PORTUGALConstituída por traços oblíquos paralelos, entre os quais alternam motivos geométricos gregos e a legenda «BANCO DE PORTUGAL».
Exemplo 1

- Governador: Henrique de Barros Gomes
- Director: José Guilherme Ferreira
B -
Marca de água ELOS DE CORRENTEConstituída por elos de corrente dispostos em diagonal, podendo apresentar diversas variantes e posicionamento.
Exemplo 2

- Governador: Henrique de Barros Gomes
- Director: José Guilherme Ferreira
As dimensões da nota são de 115 x 72 mm e a emissão foi constituída por 25 960 000 notas com a data de 1 de Julho de 1891.
Devido ao aparecimento de grande número de falsificações, foi decidido pelo Banco de Portugal retirar de circulação este tipo de notas a partir de 29 de Maio de 1900.
Exemplo 3

FALSA DA ÉPOCA
- Governador: Henrique de Barros Gomes
- Director: Duarte Sérgio de Oliveira Duarte
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Acácio