A falência de dois importantes Bancos, o Banco Lusitano e o Banco do Povo, terá sido a gota de água para o desencadeamento da crise económica e financeira de 1891.
Assim que o pânico se estabeleceu desencadeou-se uma corrida aos depósitos, especialmente ao Banco de Portugal, para trocar as notas por ouro. Nessa época ainda vigorava a convertibilidade das notas em moeda metálica: as notas de 5.000 réis eram as de menor valor facial seriam convertíveis em moeda de prata e as de valor facial superior em ouro.
O Governo teve que intervir determinando a suspensão da convertibilidade das notas em ouro, mas não conseguiu impedir o açambarcamento das moedas de prata de 50, 100, 200 e 500 réis, através da troca das notas de 5.000 réis. Mais tarde passou a vigorar o sistema da inconvertibilidade das notas.
Enquanto a Casa da Moeda procedeu à emissão das cédulas de 50 e 100 réis, o Banco de Portugal promoveu a emissão de notas de baixo valor facial de 500, 1000 e 2500 réis, até ali inexistentes.
Para obviar as necessidades urgentes de notas de baixo valor foram impressas no estrangeiro quase todas as chapas destes valores. Porém, a Chapa 3 de 1.000 réis foi integralmente produzida na Estamparia de Banco de Portugal.
Curiosamente, esta nota que foi projectada para substituir a chapa anterior ainda na crise de 1891, mas acabou por entrar em circulação apenas em 1917 devido à escassez de moeda metálica que então se verificou e que deu origem à necessidade das emissões das cédulas da Casa da Moeda e de outras Instituições.
As notas desta Chapa 3, de 1.000 réis, foram feitas por impressão tipográfica, não apresentando, por isso, qualquer relevo calcográfico.
Há um tempo atrás consegui adquirir, por baixo custo, três exemplares daquilo que julgo ser uma “experiência de impressão”, ou “teste de impressão”. Acabei por vender dois dos exemplares e fiquei com este de que vos deixo uma imagem.
Trata-se de um exemplar uniface representando o verso da nota. O papel apresenta a mesma marca de água das notas emitidas. A mancha do desenho é igual a uma nota emitida. A qualidade de impressão é muito baixa, parecendo até a imagem estar desfocada e a cor vermelha não tem exactamente o mesmo tom. Os dois números que se encontram na margem inferior parecem ser de origem, mas não sei qual poderá ser o seu significado, sendo certo que os outros exemplares que comprei e vendi não tinham nenhuma numeração.
Face à qualidade de impressão, creio que estamos perante uns testes, ou experiências, de impressão e afinação da máquina impressora.
Faço notar que tenho visto outros exemplares à venda, sempre do verso, e nenhum da frente da nota.
Gostaria de conhecer outras opiniões, outras hipóteses, sobre este tipo de produto.

A nota:
