7º Centavo 1922

Desde a primeira moeda da República até às últimas em 2001

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José Alves
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7º Centavo 1922

#1 Mensagem por José Alves » quarta mai 11, 2005 3:18 am

Viva,

Imaginem que eu ou algum de voçês apresentava uma suposta SÉTIMA moeda de 1 Centavo 1922 VERDADEIRA (ou uma das 6 actualmente conhecidas sem qualquer factura ou documento com o seu cadastro/histórico), como é que acham que o mercado e mais concretamente os "tubarões" reagiriam?

Já discuti este tema com um amigo e chegamos a conclusão que certamente iria ser sempre rejeitada enquanto que se qualquer um dos donos de uma das ditas 6 verdadeiras pusesse no mercado uma "eximimamente" viciada seria aceite como autentica.

Que acham??????????


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Laulo
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#2 Mensagem por Laulo » quarta mai 11, 2005 11:30 am

O meu ponto de vista seria este se fosse eu pela divina graça do Espitito Santo que encontrasse a dita moeda , seria a sétima e se não tivesse dúvidas da sua procedência , em igualdade de circunstâncias como descobri a de 20 centavos de 1922 em 197....., bater-me-ia contra os galifões que fecham o circulo e se encontram em todos os sectores de negócios. da vida pública, da política etc. etc.

Primeiramente , não seria eu que tinha que provar que a moeda seria verdadeira , eram eles que teriam de provar que a moeda era falsa ou viciada, justificando as razões e a atitude porque o faziam.

Segundo , seriam eles que tinham que comprovar , já que se fazem acompanhar da verdade (deles) , do historial das 6 moedas que dizem existir e descobertas até ao momento, porque é que afirmam que só existem 6 , aqui teriam que estar na posse dos elementos pelos quais eles se batem convictos de que não sairam mais cá para fora .

É a eles que compete contrapôr, contestar ou aceitar a verdade dos factos , se isso viesse a acontecer e se a verdade fosse real que nos importava o circulo deles , Gallileu no seu tempo bateu-se sózinho pela verdade contra toda a igreja e hoje ela mesmo por estar errada pede desculpa pelo que fez.

Laulo

DanielPinheiro
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#3 Mensagem por DanielPinheiro » quarta mai 11, 2005 12:34 pm

Viva,

Imaginem que eu ou algum de voçês apresentava uma suposta SÉTIMA moeda de 1 Centavo 1922 VERDADEIRA (ou uma das 6 actualmente conhecidas sem qualquer factura ou documento com o seu cadastro/histórico), como é que acham que o mercado e mais concretamente os "tubarões" reagiriam?

Já discuti este tema com um amigo e chegamos a conclusão que certamente iria ser sempre rejeitada enquanto que se qualquer um dos donos de uma das ditas 6 verdadeiras pusesse no mercado uma "eximimamente" viciada seria aceite como autentica.

Que acham??????????
Acho que é uma utopia ...........

Já agora se só existem 6 porque é que toda a gente que tem as moedas organizadinhas em capas e alveolos deixa sempre o espaço para o centavo de 1922 ? Será porque tem esperanças que lhe saia o EuroMilhões ? :biggthumpup:

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Laulo
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#4 Mensagem por Laulo » quarta mai 11, 2005 12:54 pm

O Daniel Pinheiro não respondeu porque é que se afirma existirem só 6 , tem elementos que justificam esse facto ? e como é que apareceram as 6 ? foram todas ao mesmo tempo ? provenientes de um só possuidor ?, em que data apareceram ? Foi a INCM que as colocou cá fora ? tiveram cunhagem para oferta ? havia muitas perguntas a fazer.

Os buraquinhos existem porque as moedas que foram cunhadas não só a de 1922 e muitas outras , pela incerteza dos factos é que nos leva a colecionar e a ter esperança de que um dia a sorte nos bate à porta e o buraco será tapado, do mesmo modo que se continua a jogar nas várias lotarias com a esperança de um dia de sorte , é isso que nos faz viver , aguardar que o amanhã seja melhor que o hoje.

Nos caramelos do meu tempo tinhamos a certeza que só um cromo dava o prémio maior , a Bola e estava colado ao fundo da lata, e sabíamos que dificilmente viria para as nossas mãos e o quadrado (espaço) lá ficava em branco na caderneta , é o mesmo que eu tenho no meu album de moedas , está lá o alvéolo na de 22 bem como nas outras em que saíram mais de 6 e não consigo lá chegar mas vivo na esperança de o conseguir.

Laulo

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MBarreleiro
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#5 Mensagem por MBarreleiro » quarta mai 11, 2005 1:16 pm

Já agora se só existem 6 porque é que toda a gente que tem as moedas organizadinhas em capas e alveolos deixa sempre o espaço para o centavo de 1922 ? Será porque tem esperanças que lhe saia o EuroMilhões ?
Porque não há valor monetário (relativos aos escudos) mais baixo. :erofl :erofl :erofl
Colecciono: Moedas; Cápsulas de espumante; Pacotes de açúcar e Pins de Heráldica
Lista de Pacotes de açúcar em falta: http://www.pacotada.com/listafaltas/mpac1050

MCarvalho
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#6 Mensagem por MCarvalho » quarta mai 11, 2005 2:51 pm

A história do centavo de 22 é conhecida.

Foram cunhados mais de dois milhões (2.150.000), mas nunca chegaram a ser emitidos, pois o seu valor real, em peso, tornou-se mais valioso do que o valor nominal, por isso ficaram em depósito na Casa da Moeda até Junho de 1924, data em que foram todas para refundir, o metal que se aproveitou dessa fundição foi utilizado na emissão dos 5 e 10 tostões de bronze-alumínio de 24.

Esta é a versão documental da história. O que foi dito na época e tem sido repetido, é que o então director da Casa da Moeda, retirou 6 moedas antes de irem para o cadinho, e serão essas as sobreviventes.

O autor que nos contou essa história é um senhor chamado José Gama Barata (não sei se ainda vive) e conheceu pessoalmente o director da Casa da Moeda de esse período. Chegou, inclusivamente a fotografar e publicar as fotos do cunho do centavo de 22, que em 1978 ainda existia nos arquivos da Casa da Moeda. É possível que ainda esteja lá.

Esta foto do cunho veio acabar com um mito em que se dizia que só sairam 6 porque o cunho partiu e ninguém o substituiu. Esta história às vezes ainda é repetida, mas não corresponde à verdade dos factos, pois o cunho está inteiro.

Portanto, as perguntas do Laulo têm estas respostas:

Como é que apareceram as 6 moedas? Apareceram porque foram salvas da fundição pelo director da Casa da Moeda.

Quanto é que apareceram? Em Junho de 1924 e todas ao mesmo tempo.

Quem era o possuidor? O tal director.

A partir daqui tudo é mistério, mas deve ser possível saber mais coisas.
Há uma história (mas essa não consigo confirmar com entrevistas e documentação) de que um dos centavos apareceu, décadas depois (não sei quando, mas certamente antes dos anos 60) dentro duma gaiola... poderá ter ido lá parar depois da morte do tal antigo director, pelas mãos de alguém da famíla, uma criança ou um empregado doméstico... mas isso já pode ser apenas mito. Não sei.
MCarvalho

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#7 Mensagem por doliveirarod » quarta mai 11, 2005 3:03 pm

Histórias e Estórias... Nunca saberemos, pois nesse mundo da numismática o que não faltam mesmo são histórias (como a da velhinha que tinha a raridade no fundo do baú).
E se alguém mais salvou outras peças? Será que só o diretor era esperto o suficiente p/ isso?
E se saiu alguma misturada c/ as 1921?
Nunca saberemos...
Sei de uma moeda que constam 21 localizadas no mundo todo, e já vi a de nº "22". Quantas mais haverão? Não sei, ninguém sabe...
http://www.megaleiloes.com/leiloes.php? ... liveirarod ML - http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_14426169
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PSS
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#8 Mensagem por PSS » quarta mai 11, 2005 3:21 pm

Acredito que as coisas se tenham passado como nos conta o MCarvalho, até porque essa versão dos acontecimentos está minimamente documentada.

Mas, pessoalmente, não acredito que o tal Director da INCM, depois de ter colocado na gaveta os seus 6 exemplares, tenha ido ele próprio colocar os restantes 2.144.000 exemplares da moeda na fundição (sempre eram umas toneladas de metal).

Ora, quem nos garante que, nesse percurso, não tenham "voado" mais alguns exemplares para os bolsos de outros funcionários envolvidos, mesmo que apenas como recordação ou curiosidade?

Se eu fosse o metalúrgico que estivesse a despejar pazadas de moedas "não circuladas" para dentro de um forno e soubesse que essas moedas não iriam chegar a entrar em circulação, era bem capaz de meter uma ou duas no bolso do fato-de-macaco, apenas como "souvenir".

No fundo, é essa a grande esperança (ou utopia) dos coleccionadores de moedas da República: que, afinal, tenham ficado mais algumas de fora, para além dos seis exemplares referenciados...
Última edição por PSS em quarta mai 11, 2005 3:24 pm, editado 1 vez no total.

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#9 Mensagem por MCarvalho » quarta mai 11, 2005 3:24 pm

O director não vendeu as moedas, nem parece ter sido essa a intenção. Temos que perceber que nos anos 20 o coleccionismo era muito diferente do que é hoje. Valorizava-se sobretudo os metais preciosos e as antiguidades históricas. Era um passatempo de milionários e reis, e esses não estavam interessados em moedas do dia-a-dia de baixo valor facial. Uma moeda de 1 centavo não era valorizada, nem havia o coleccionismo popular que começou mais tarde, lá pela década de 1950, com as colecções por data, o gosto pelos erros, variantes, etc. Até lá, as moedas contemporâneas, sobretudo as de baixo valor, eram pouco valorizadas.

Em 1978 uma delas foi vendida por 120 contos, muito dinheiro na época, é verdade, mas em termos reais, uma ninharia comparado com os 15.000 contos de hoje, pois 120 contos representariam aí uns 3 ou 4 salários acima da média em 1978, penso que já não dava para comprar um automóvel novo (gostava que os mais velhos debatessem estes valores, p.f.)

Hoje, 15.000 contos representam muitíssimo mais em termos de poder de compra.

Se desde 1924 até 2005 só se conhecem as 6 moedas, se não há nenhum indício que aponte para o contrário, não me parece muito provável que surjam agora.
MCarvalho

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#10 Mensagem por MCarvalho » quarta mai 11, 2005 3:27 pm

Mas, pessoalmente, não acredito que o tal Director da INCM, depois de ter colocado na gaveta os seus 6 exemplares, tenho ido ele próprio colocar os restantes 2.144.000 exemplares da moeda na fundição
Teriam sido destruídos muitos mais, 2.149.994 ;) Mas os tais 2.150.000 poderão na realidade nunca ter existido, sabe-se que a cunhagem estava feita, mas esse era o número máximo decretado, poderia não ter atingido esse valor exacto.

Mas concordo que há sempre uma hipótese... pequena, mas nada prova o contrário.
MCarvalho

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