Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

Desde a primeira moeda da República até às últimas em 2001

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EngTrig
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Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#1 Mensagem por EngTrig » terça abr 09, 2013 3:36 pm

Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

Boa tarde, conforme prometido, em resposta às dúvidas que se levantaram sobre a cunhagem da moeda de 1 escudo de alpaca de 1935, elaborei um relato sucinto da documentação consultada e do raciocínio que me permitiram fixar a estatística destas duas amoedações em: 1935 – 54.300 ex; 1939 – 250.000 ex..
É um contributo que presto com muita satisfação, para o conhecimento geral e proveito mútuo da nossa numismática.
Começo pela listagem dos cunhos existentes no arquivo da Casa da Moeda e da informação que neles foi gravada pelos mestres gravadores, ao longo dos anos, sem a qual não teria sido possível deslindar estas estatísticas.

I - Punções, matrizes e cunhos existentes no arquivo da Casa da Moeda, segundo o respectivo Catálogo Geral (Lisboa, 1960)

Algumas definições das peças metálicas que eram necessárias para fabricar moeda:
Punção redução (positivo): obtido por redução do modelo original (araldite ou galvano) no pantógrafo tridimensional
Matriz (negativo): também chamada cunho-matriz, obtida por estampagem do punção redução, após tratamento térmico, num bloco de aço macio
Punção de serviço (positivo): também chamado punção reprodutor de cunhos, obtido por estampagem da matriz num bloco de aço macio
Cunho (negativo): obtido por estampagem do punção reprodutor num bloco de aço macio
Moeda (positivo): obtida por cunhagem simultânea dos cunhos do anverso e do reverso sobre discos metálicos, numa prensa monetária

Moedas de alpaca – 1 escudo: período 1927 a 1944

142A a 149 – Punções, matrizes e cunhos do anverso e reverso, com era de 1927. Nas duas matrizes, de anverso (busto) e reverso (escudo e valor), está gravada por fora a data da sua conclusão pelo gravador-chefe, Alves do Rego, 1-9-1927. A cunhagem teve início a 8-9-1927.

164 a 167 – Punções, matriz e cunho do anverso (o reverso não sofria alterações), com era de 1928. No punção está gravada a data da mudança da era, 22-1-1928

170 e 171 – Matriz e punção do anverso, com a era de 1929

Nota: a era de 1930 nas moedas de alpaca só foi utilizada nas cunhagens para Cabo Verde.

174 e 175 – Punção e matriz do anverso, com era de 1931. No punção está gravada a data da mudança da era, 12-2-1931

210 e 211 – Cunhos do reverso e do anverso, mas com a era de 1933, sem outra indicação da data da mudança da era. Não chegaram a ser utilizados, já que não existem moedas de alpaca com esta era, nem houve amoedação deste metal nesse ano e nos seguintes

219 a 221 – Matriz, punção e cunho do anverso, com a era de 1935. Na matriz está gravada a data da sua conclusão pelo gravador A Fragoso, 19-11-1934; no punção reprodutor de cunhos, está gravada a data de 23-11-1934. Também para a moeda de $50 as datas gravadas no exterior das peças metálicas são coincidentes com as do escudo (Novembro de 1934).

230 e 231 – matriz e punção para o anverso de moeda de $50 com a era de 1938 e data gravada 8-11-1938. Não existem peças desta era para os cunhos da moeda de escudo.

232 e 233 – Matriz e punção do anverso de moeda de escudo, com a era de 1939. Na matriz está gravada a data da mudança (ou reforma) da era, 13-4-1939 e as iniciais MNA (Marcelino Norte de Almeida)

243 e 244 – Matriz e punção do anverso, com a era de 1940. Na matriz está gravada a data da mudança (ou reforma) da era, 12-12-1939 e as iniciais do gravador José Rosa. Deste fabrico cunharam-se a mais, excedendo o limite da emissão, 9.359 ex., que ficaram em cofre na Casa da Moeda e só foram emitidos para circulação (por guia à Direcção-Geral do Tesouro) a 24 de Novembro de 1944.

278 e 279 – Matriz e punção do anverso, com a era de 1944. Na matriz está gravada a data da mudança (ou reforma) da era, 9-5-1944 e o nome do gravador Rosa. A primeira entrega das moedas com esta era ao Tesouro teve lugar a 26 de Janeiro de 1945 e prolongou-se a um ritmo de 54.000 moedas de 2 em 2 dias até 9 de Abril de 1945, totalizando 993.000 ex. Não foi possível fazer a destrinça estatística entre moedas com era de 1944 e de 1945.

291 a 291B – Punção do anverso, com a era de 1945, e cunhos, sem indicação da data da reforma da era

303 a 309 – Matrizes e punções retocados, do anverso e do reverso, com a era de 1946, pelos gravadores José Rosa e Américo; matriz e punção reprodutor de cunhos do anverso com a era de 1946. Na matriz reprodutora de punções está gravada a data da mudança da era, 4-8-1946.

(segue a parte II)



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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#2 Mensagem por EngTrig » terça abr 09, 2013 3:42 pm

II - Antecedentes: o fabrico de moeda de 1$00 de alpaca até 1934

O decreto que autorizou o início da cunhagem das novas moedas de alpaca, em Junho de 1927, fixou como limite de emissão 30 milhões de moedas de 1 escudo das duas espécies, bronze-alumínio em circulação e alpaca a criar. Depois veio Salazar e em Junho de 1931 reduziu esse limite para 16 milhões. Em 1932 é retirada da circulação o bronze-alumínio, pelo que o limite de emissão do escudo passou a referir-se apenas à moeda de alpaca: 16 milhões até Setembro de 1942, quando subiu para 16,5 milhões, atingindo os 20 milhões em Novembro de 1944 (História do Escudo..., pp.142; 148-150).
Da redução ordenada por Salazar em 1931 resultou um enorme excesso de moeda cunhada (Br-Al e Alp) que ultrapassava o limite autorizado, respectivamente, em 4,5 milhões de moedas de 1$00. Como resultado a amoedação do escudo e do seu meio de alpaca foi suspensa em 1932, 1933 e em 1934.
No entanto, a Casa da Moeda tentava sempre prever o que ia acontecer, e estar preparada para uma eventual ordem de cunhagem. Assim se explica o facto de existirem no arquivo um par de cunhos para moeda de 1$00 com era de 1933, que nunca foram utilizados (Catálogo Geral..., p. 105).
É nesse catálogo geral dos cunhos, um precioso registo histórico organizado pelo guarda do Museu Numismático Português, Avelino Dias Peixoto (que ainda conheci e com quem lidei durante vários anos), que figuram as peças necessárias para a cunhagem do escudo de 1935, datadas de Novembro de 1934 (Catálogo,... p. 106 – ver acima).
Então, a situação da moeda de 1$00 de alpaca em Junho de 1934 (refere-se ao final do ano económico de 1933-34) e daí em diante, até 31 de Dezembro de 1947, era a seguinte:

Imagem

(segue a parte III)

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#3 Mensagem por EngTrig » terça abr 09, 2013 3:43 pm

III – A cunhagem com a era de 1935

Temos então dois factos até agora registados: 1.º - os cunhos com a era de 1935 estavam gravados em Novembro de 1934; e 2.º - não houve cunhagem do escudo de alpaca nos anos de 1932 a 1938.
No ano seguinte foram cunhadas as moedas com a era de 1935 e também com a era de 1939 (cujos cunhos estavam concluídos em Abril desse ano). A questão é, então, a separação destas duas eras na cunhagem de 1939. Para isso fomos consultar múltiplos processos, desde correspondências trocadas com o BdP, o Instituto Nacional de Estatística, o ministro das Finanças (Oliveira Salazar), bem como, as entregas de moeda ao BdP, registada em mapas mensais desde Maio de 1932, e que incluíam também o somatório de toda a moeda metálica emitida até 31 de Dezembro de cada ano.
As referências das fontes consultadas encontram-se no livro, pelo que dispenso de as indicar.

1. Ofícios em resposta às informações pedidas pelo ministro das Finanças (A. Oliveira Salazar) sobre a situação, fabrico e circulação de moeda, nos anos de 1935 a 1940.

Despacho de Oliveira Salazar de 10 de Julho de 1935:
«Casa da Moeda. Informação sobre a situação actual respeitante a moeda metálica. Está já regularizado tudo o que respeita à moeda de bronze e de alpaca? Actividade actual da Casa da Moeda no que respeita a fabrico de moeda»

Informação de 12 de Julho de 1935: «A situação da moeda metálica é a seguinte: (...) ALPACA – Para atingir os limites das emissões autorizadas pelo decreto-lei n.º 19:871, de 9 de Junho de 1931, faltam cunhar 461.350$00 de $50, e, 1:054.300$00 de 1$, o que até ao presente se não fez (...) Da moeda de 1$ existem em depósito na Tesouraria da Casa da Moeda, 384.882$00 (sendo de 16.000 contos o limite da emissão).
MOÇAMBIQUE – A encomenda da colónia de Moçambique ocupará a secção da Amoedação por 16 a 18 meses (sendo de 11,2 milhões de moedas essa encomenda)»

Informação de 15 de Maio de 1936 – Sobre as cunhagens efectuadas no ano económico de 1934-1935 (5$00 e 10$00 de prata para o Continente, cujos trabalhos terminaram em Outubro de 1934; e moedas para as colónias, Moçambique e Índia), refere o engenheiro administrador: «No intervalo de preparação da cunhagem para as Colónias, fabricaram-se: Alpaca de $50 = 451.050$00, faltando pois para o limite fixado na lei, nesta moeda, 461.350$00, mantendo-se os 1.054.300$00 para a moeda de 1$00.»

Informação de 24 de Abril de 1937 – «Em 1936 não se cunhou moeda de prata para o Continente, por estarem atingidos os respectivos limites de emissão. Com a alteração do limite da emissão das moedas de prata para 135.000.000$00 (lei n.º 1944, de 17 de Dezembro de 1936), recomeçou a cunhagem das peças de 10$00 em 1937, prevendo-se atingir a autorização de 500.000 moedas ainda nesse ano. Durante o ano de 1936, continuou a cunhagem de moedas para Moçambique.»

2. Informação interna de 24 de Outubro de 1938 – «Conta dos metais para a conclusão da cunhagem das moedas de 1$00 e $50», indicando que:
Moeda de 1$00 - Limite de emissão – 16.000.000$00; Moeda cunhada até esta data – 14.945.700$00; Moeda a cunhar – 1.054.300$00; quantidade total de liga necessária: 8,434,400 kg, dos quais, 1,6 ton de níquel.
Moeda de $50 - Limite de emissão – 15.000.000$00; Moeda cunhada até esta data – 14.538.650$00; Moeda a cunhar – 461.350$00 (922.700 ex.); quantidade total de liga necessária: 4,152,150 kg, dos quais, 189 kg de níquel.

Informação dos Serviços: existindo 553 kg de níquel em armazém, será necessário adquirir 1,5 ton de níquel para a conclusão das duas espécies. Contudo, «não será preciso adquirir níquel para a conclusão da moeda de $50, sobrando, neste caso, ainda (teoricamente) 251,125 kg desse metal. Pretendendo-se arredondar a conta da cunhagem da moeda de 1$00 para 15.000.000$00, ou seja, cunhar 54.300$00, são necessários 82,536 kgs de níquel, o que cabe perfeitamente dentro da sobra de 251,125 kgs que resta depois de atingida o limite da moeda de $50.»
Despacho manuscrito do administrador geral da Casa da Moeda: «Foi dado conhecimento ao Exmo. Senhor Secretário de E. das F. em 1-11-38 por mão. Lavrou despacho em 23-10-38. Mandada cunhar toda a moeda que falta de $50, e os 54.300$00 da de 1$00. Out.º 1938 (Cruz Azevedo)»

Foi com base nesta ordem que se abriram os cunhos para a moeda de $50 com a era de 1938 (concluídos em Novembro) e se deu de imediato início à sua cunhagem: 150.000 moedas em 1938 e as restantes 772.700 moedas em 1939 (estatísticas confirmadas também por outras fontes). Concluída esta, passou-se à cunhagem das 54.300 moedas de escudo, mas com que cunhos?
Fazemos uma pausa neste raciocínio para introduzir um elemento novo: qual era a capacidade diária de fabrico da Casa da Moeda, ainda na Rua de S. Paulo, antes da mudança para as novas instalações? A resposta aparece num extenso “Memorial” de 1 de Março de 1940, em que o administrador geral (Cruz Azevedo) faz o ponto da situação e determina os procedimentos a seguir: 10$00 – 20 mil por dia; 5$00 – 30 mil; 2$50 – 40 a 45 mil; 1$00 – 25 mil por dia; $50 - 40 a 45 mil; $10 – 60 a 75 mil por dia.

Assim, a cunhagem de 54.300 ex. de 1$00 demoraria pouco mais de 2 dias; a cunhagem dos $50 demoraria, menos de 4 dias úteis para 150.000 ex.; e 19 dias para os 772.300 ex.
Ou seja, no final de Janeiro de 1939 já estaria concluída a amoedação dos $50 e teve então início a amoedação do escudo, cujos únicos cunhos preparados, nessa data, eram os de 1933 ou de 1935 (os cunhos de 1939 só ficaram concluídos em Abril desse ano). E foi isso que aconteceu, nascem aqui os 54.300 ex. de 1$00 de alpaca com a era de 1935.

Mais tarde nesse ano, nova ordem ministerial manda aumentar a quantidade de moeda em reserva, pelo fabrico de mais 250 contos em moedas de escudo. A este fabrico refere-se outra informação enviada ao ministro das Finanças, a 19 de Setembro de 1939: «Estão-se a fabricar 58 contos (de 1$00) para atingir este número (de 15.250.000$00)». É a moeda de 1939, de que se cunharam (304.300 – 54.300 =) 250.000 ex.
Logo depois Oliveira Salazar, num extenso e pormenorizado despacho de 21 de Setembro (que inclui uma adenda “Confidencial”, sobre a retirada da moeda de 5 centavos), determina a cunhagem de mais 1.000 contos de 1$00 e de $50, em preparação contra a falta de metais durante a guerra. É daqui que sairão as moedas de 1940, mas isso já é outra história.

IV – Conclusão

Investigação documental em tudo semelhante e o estudo comparativo das várias fontes permitem conhecer hoje as estatísticas das amoedações do escudo republicano, com raras excepções. Julgo que já é tempo das antigas estatísticas publicadas por Ferraro Vaz e depois copiadas em Alberto Gomes e outros, dêem lugar às novas estatísticas documentalmente comprovadas e publicadas na Grande História do Escudo Português. Se não for assim, todo o meu trabalho terá sido em vão e a ignorância prevalecerá na numismática portuguesa dos nossos tempos.
Com os melhores cumprimentos, António Trigueiros.
(Lisboa, 9 de Abril de 2013)

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#4 Mensagem por jdickson » terça abr 09, 2013 4:17 pm

EngTrig Escreveu: Julgo que já é tempo das antigas estatísticas publicadas por Ferraro Vaz e depois copiadas em Alberto Gomes e outros, dêem lugar às novas estatísticas documentalmente comprovadas e publicadas na Grande História do Escudo Português. Se não for assim, todo o meu trabalho terá sido em vão e a ignorância prevalecerá na numismática portuguesa dos nossos tempos.
(Lisboa, 9 de Abril de 2013)
Sem dúvida! Parece-me que temos o dever de "espalhar a boa nova", enquanto utilizadores do fórum, fazendo prevalecer esta informação actualizada sobre as demais.
Parabéns pelo magnífico trabalho! :clap3: :clap3: :clap3:

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#5 Mensagem por Jorge Silva » terça abr 09, 2013 4:30 pm

Senhor Engº António Trigueiros na Iª parte quando o senhor diz:
Nota: a era de 1930 nas moedas de alpaca só foi utilizada nas cunhagens para Cabo Verde.
É aqui que reside a minha dúvida, é que nesta era foram cunhadas moedas de $50 e de 1$00 alpaca para o continente.
$50 - 1 116 000.
1$00 - 1 911 000.
Cumprimentos

Jorge Silva

" A medalha deve ser acarinhada como uma arte nobre da escultura ".

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#6 Mensagem por Jorge Silva » terça abr 09, 2013 5:26 pm

E já agora não querendo abusar da boa vontade e saber do senhor Engº António Trigueiros, coloco aqui uma questão que já tem andado pelo fórum mas que a meu ver ainda não se fez luz, é o seguinte:
O anverso e o reverso de uma moeda, já tem dado aqui como já disse umas discórdias de opiniões, mas da discussão nasce a luz, assim sendo agradecia que o senhor explicasse, qual é um e qual é outro, embora eu tenha uma opinião formada sobre o assunto, não quer dizer que seja a correcta, obrigado.
Cumprimentos

Jorge Silva

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#7 Mensagem por EngTrig » quarta abr 10, 2013 11:35 am

Estimado Sr. Jorge Silva, obrigado pela observação, está correcta e eu estava distraído.
É favor eliminar a linha abaixo,
"Nota: a era de 1930 nas moedas de alpaca só foi utilizada nas cunhagens para Cabo Verde."
e substituir pela seguinte, do Catálogo Geral dos Cunhos:
«
Continente e Cabo Verde, 1 a 5 (p. 128) – Punções e matrizes do anverso e do reverso (com Cabo Verde), com a era de 1930. Nesta listagem estão misturadas as peças utilizadas para a cunhagem continental e as de Cabo Verde. Punção e matriz do reverso (escudo nacional) sem legenda, datado de 21 e 22-3-1930; matriz do anverso (República Portuguesa), de 22-3-1930; matriz e punção do reverso com Cabo Verde, datados de 5 e 15-4-1930.
»

Quanto às definições mais usuais de anverso e de reverso, é assunto muito debatido ao longo dos anos pelos coleccionadores e estudiosos. Vejamos o que diz o Diccionário de Numismática, de José Maria Folgosa, para começar:
ANVERSO - Face principal duma moeda: o lado em que se encontra a efígie do soberano ou as indicações de maior importância.
REVERSO - A face oposta ao anverso, portando dados de importância secundária.
Não está muito claro. A regra que eu aplico (e apliquei em todos os trabalhos numismáticos e em diplomas legislativos de criação de moedas),é a seguinte:

ANVERSO - Face principal de uma moeda, representativa da autoridade emissora. Em moedas de regimes monárquicos, a efígie do soberano, como Chefe de Estado, é o emblema de maior importância. Em regimes republicanos, como por ex. em Portugal, a legenda "República Portuguesa" determina o Estado e caracteriza o anverso, tendo maior importância que o escudo das armas nacionais. Em moedas onde não exista, nem a efígie da chefia do Estado, nem uma legenda identificadora da autoridade emissora, então os símbolos heráldicos nacionais passam a representar os emblemas de maior importância e a caracterizar o anverso das moedas. Tudo o resto, era, valor facial etc, são elementos secundários, tanto podem estar num como noutro lado da moeda.
REVERSO - O outro lado da moeda.

Vejamos o caso das COMEMORATIVAS, em que a face mais importante é precisamente a face onde se comemora o evento. A regra mantém-se, inalterada: o anverso é sempre, a face que identifica a autoridade emissora. A face comemorativa é o reverso.

Enfim, é um tema interessante e a sua aplicação a cada uma das nossas moedas daria pano para mangas...
Cumprimentos, A Trigueiros

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#8 Mensagem por tm1950 » quarta abr 10, 2013 1:26 pm

As quantidades amoedadas das moedas de alpaca que circularam em Portugal Continental, Açores e Madeira poderão ser:

Fonte:
Trigueiros, António - A Grande História do Escudo Português, 2003
Última edição por tm1950 em quinta fev 05, 2015 6:43 pm, editado 1 vez no total.
Celso.
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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#9 Mensagem por Jorge Silva » quarta abr 10, 2013 5:09 pm

Obrigado pela resposta e era essa a minha percepção, quanto ao Anverso e Reverso.
Cumprimentos

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Re: Estatística das amoedações: 1 escudo de 1935 e de 1939

#10 Mensagem por EngTrig » quarta abr 10, 2013 7:32 pm

Prezado Celso (desculpe, não sei o seu nome completo), os seus quadros estão impecáveis, e agora sim, já é possível começar a substituir as estatísticas anteriormente publicadas. Muito obrigado pela sua ajuda.
Cumprimentos, A Trigueiros

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