960 Réis - duvidas

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numismatica_bentes
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#21 Mensagem por numismatica_bentes » quinta set 20, 2007 9:22 am

As marcas que identificam as casas da moeda sao as seguintes:

Imagem

Existe também (figura a seguir) a marca LM (Lima) sobre 8 reales colunário. Porém, até o momento, não são conhecidos Carimbos de Minas aplicados sobre esta moeda.

Imagem
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#22 Mensagem por numismatica_bentes » quinta set 20, 2007 10:28 am

Avaliação

O grau de raridade dessas moedas deve-se, em primeiro lugar, à moeda que recebeu a contramarca (moeda base). Em seguida ao estado de conservação da contramarca e por último ao estado de conservação da moeda base.
É conveniente esclarecer que as moedas que serviram de base à aplicação dessas contramarcas, via de regra, não são raras. A combinação da contramarca de 960 Réis com um determinado tipo de base é que constitue a raridade, o que irá, a princípio, estabelecer o valor da moeda. É lógico que se dois carimbos aplicados em bases idênticas, possuem o mesmo estado de conservação, a valorização dar-se-á em função do estado de conservação da base. Sendo assim, o preço máximo para um determinado carimbo será fixado para a moeda que possuir carimbo flor de cunho sobre base flor de cunho. Os valores a seguir se referem ao estado de conservação dos carimbos.

Valores.

Obs: Os valores são dados em EUROS e para o estado de conservação Extremely Fine (quase bela). Na classificação brasileira seria soberba.
Deve-se acrescentar 50% a este valor caso a base, e também o carimbo, sejam flor de cunho (classificação soberba, para Portugal).

Nota: Os valores são da Numismática Bentes e apurados através da nossa experiência em comercializar com estas moedas.
Trata-se do preço máximo, final para o colecionador. Alguns leilões superam esta expectativa, devido à raridade da moeda, seu estado de conservação e o interesse dos participantes. Desta forma, estas moedas podem atingir valores maiores (ou menores) do que aqueles expostos pela nossa avaliação. Porém, via de regra, os preços se mantém nesta faixa, variando em torno de 10%, para mais ou para menos.

CARIMBO DE MINAS.

1) SOBRE 8 REALES COLUNÁRIO.

1a) MÉXICO (Colunário)................RRRRR


2) SOBRE 8 REALES DE CAROLUS III

2a) POTOSI..................................€ 1.400
2b) MÉXICO..................................€ 2.000
2c) LIMA.......................................€ 1.800
2d) SANTIAGO..............................€ 2.500

3) CAROLUS IV

3a) POTOSI.................................€ 1.800
3b) MÉXICO.................................€ 2.000
3c) LIMA......................................€ 2.500
3d) SANTIAGO.............................RRRR

4) CAROLUS IIII

4a) POTOSI................................€ 180
4b) MÉXICO...............................€ 1.000
4c) LIMA.....................................€ 300
4d) SANTIAGO............................€ 800

5) FERDIN VII............................RRRRR - Da mais alta raridade.

Outros Carimbos

1) MATO GROSSO..................................€ 7.000
2) CUYABA............................................€ 15.000 (CUYABA visível)
3) CUYABA............................................€ 10.000 (quando visível parte da palavra)
4) CARIMBO "C"....................................€ 3.000
5) CARIMBO "C" S/MATO GROSSO..........RRRRR

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#23 Mensagem por Fernando C. P. Bravo » quinta set 20, 2007 6:19 pm

Belo trabalho. Parabéns.
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SAUDAÇÕES NUMISMÁTICAS.

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#24 Mensagem por doliveirarod » sábado set 22, 2007 2:02 am

Esse trabalho não pode se perder.
Vou transferir p/ o "cunhagem mecânica", e depois tornar inamovível o tópico.
Parabéns!
http://www.megaleiloes.com/leiloes.php? ... liveirarod ML - http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_14426169
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#25 Mensagem por numismatica_bentes » sábado set 22, 2007 6:42 am

A todos !

Ficamos lisonjeados com as manifestaçoes de apoio e é esta a melhor forma de recompensa que poderiamos aspirar. E uma satisfaçao muito grande saber que podemos contribuir para que a numismatica esteja sempre entre as mais nobres formas de colecionismo.
Lamentamos apenas que, no Brasil, ainda nao se de o devido valor à numimatica que està, vez por outra, em crise, nao evolui, nao conta com investimentos sequer das autoridades brasileiras e parece stagnada. Um absurdo, pois a coleçao de moedas brasileiras é belissima e plena de historia. Ainda hoje, comerciantes de ouro e prata, nas regioes mais remotas do pais, derretem moedas raras para confeccionarem joias, sem saber que o valor daquilo que destruiram chega a ser 100 vezes maior do que as joias confecicionadas. Barras de ouro de Sabara e outras, moedas de ouro, patacoes, etc foram derretidos aos montes e ainda o fazem nos dias de hoje.
A literatura a respeito é praticamente nula e se nao fosse por homens como Kurt Prober, Julius Meili Souza Lobo, Lupercio, Berbert de Castro e outros grandes colecionadores que se foram, saberiamos menos ainda da numismatica do pais e, consequentemente, da sua historia. Ainda falta muito para que a numismatica brasileira atinja o nivel daquela praticada nos paises europeus e nos EUA. Falta cultura, entendimento, maturidade, amor pela historia do pais e nacionalismo.

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#26 Mensagem por numismatica_bentes » sábado set 22, 2007 6:56 am

"As MOEDAS de 960 Réis".

Os “carimbos de Minas” (contramarcas de 960 Réis) foram os precursores dessas moedas que circularam de 1810 a 1834 com o objetivo principal de por um fim a circulaçao de moeda estrangeira de prata no pais. Na epoca, os pesos espanhois, como eram conhecidos, circulavam livremente no Brasil, sendo aceitos como moeda corrente. Essas moedas, oriundas da Espanha e de suas colonias americanas, começaram a ser nacionalizadas a partir de 1808 quando receberam a contramarca de 960 Reis (Carimbos de Minas) que a seguir foi substituida pela cunhagem no mesmo valor (960 Reis), o que foi feito nas Casas da Moeda do Rio de Janeiro, Bahia e também na Casa de Fundiçao de Vila Rica em Minas. Foi cunhada em tres periodos distintos, a saber:

1)Colonia (1810 a 1818),

2)Reino Unido (1819 a 1822) e

3)Imperio (1823 a 1834),

sendo que, no Reinado de D. Pedro II, nos anos de 1832, 1833 e 1834, passaram a ser cunhadas em discos proprios e nao mais recunhadas sobre "pesos espanhois".

Diferentemente das contramarcas de 960 Réis que foram aplicadas apenas em moedas hispano-americanas, as cunhagens dos 960 Réis nao obedeciam, à risca, a determinaçao de cunhar apenas os pesos espanhois. Como o processo praticamente tornava invisivel os traços da moeda base, qualquer moeda de prata que se assemelhava, em tamanho e peso ,a um peso espanhol, entrava no processo de cunhagem. Dessa forma, temos 960 Réis cunhados sobre moeda Francesa, Italiana, Holandesa, Austriaca, Inglesa e até Norte-americana, além de outras. Como exemplo, temos 960 Réis cunhados sobre 5 Francos Franceses de Napoleao, sobre 2 ½ Gulden Holandes, sobre Ducatone di Napoli e sobre 1 Dolar Norte-americano (Draped Bust Type – Heraldic Eagle de 1799). Algumas moedas Hispano-americanas que haviam recebido o “Carimbo de Minas”, também foram cunhadas, deixando visiveis os vestigios da contramarca.
Popularmente chamada de “PATACAO”(*¹), essa moeda transformou-se em um dos mais importantes elementos do colecionismo numismatico brasileiro.

Imagem

Figura: Exemplo de 960 Réis, cunhado na Casa da Moeda da Bahia, onde sao visiveis os traços da moeda que serviu de base (8 Reales de 1807, cunhado no México).

(*¹) – PATACAO- Moeda Portuguesa de cobre (10 Reis) de D. Joao II. Nome popular e mesmo oficial dado no Brasil a moeda de 960 Reis. Equivalente a 3 patacas. ( Glossario Numismatico – Kurt Prober )

PATACA – Moeda brasileira de prata com o valor circulatorio de 320 Reis. ( Glossario Numismatico – Kurt Prober )
PATACA – Dizem alguns autores ser essa palavra derivada do Arabe “ABUTACA” Nesse idioma ela se apresenta como “PATAC”. Como “PATARD ou PATAR”, foi pequena moeda de cobre tendo curso em Flandres e na França, onde se empregou como sinonimo de “obulo” para designar uma moeda sem valor. Alguns numismatas franceses dizem que PATAR pode ser uma corrupçao de PETER, forma alema de Pedro, porque o PATAR de Flandres tem sobre uma das faces , imagem do santo desse nome. Hoffman, no seu “ Livro das Moedas Reais da França ate Louis XVI”, descreve dois “PATARDS” de Louis XI.
No Brasil, a palavra “PATACA” foi usada para caracterizar a moeda espanhola de 8 Reales que a principio valia 320 Reis. Ficou depois, no Sistema Provincial, como denominaçao da peça desse valor. (Ensaios de Numismatica e Ourivesaria – Mario Barata).
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#27 Mensagem por numismatica_bentes » sábado set 22, 2007 7:48 am

Por possuir muitas particularidades, essa moeda acabou gerando diversas formas de colecionismo, constituindo-se numa fonte quase inesgotável de estudo e pesquisa. A seguir temos as formas de colecionismo mais comuns, entre aquelas preferidas pelos que se dedicam a essa moeda.

I) COLEÇÃO POR TIPOS – Leva em consideração somente o período e a Casa onde a moeda foi cunhada. Deve-se sempre adquirir exemplares no melhor estado de conservação possivel. Por ser a forma mais simples de colecionismo e por não exigir conhecimentos profundos sobre o assunto, e a forma mais indicada para quem esta iniciando. Sendo assim, uma coleção de 960 Réis por tipo deve conter os seguintes exemplares:

1) Um carimbo de Minas,
2) Um patacão da Colônia com a letra “R”,
3) Um patacão da Colônia com a letra “B”,
4) Um patacão da Colônia com a letra”M”,
5) Um patacão do Reino Unido com a letra “R”,
6) Um patacão do Reino Unido com a letra “B”,
7) Um patacão do Império (D.Pedro I) com a letra “R”,
8) Um patacão do Império (D.PedroI) com a letra “B”,
9) Um patacão do Império (D.PedroII) com a letra R, e ainda
10) Um patacão da chamada “série especial”.

Nota:SÉRIE ESPECIAL – Em 1815, Portugal passou a ser um Reino Unido (Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves). Em consequência, ordenou-se, entre outras coisas, que as moedas, a partir de então, fossem cunhadas com nova legenda e novo desenho alusivos ao novo Reino. Nessa época, D. João ainda era Príncipe Regente e como o novo desenho ainda não havia sido instituído, foi cunhada em 1816, na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, uma série de 5 moedas com letra monetária R, onde apenas a legenda foi alterada, demonstrando a "elevação" do Brasil à condição de Reino Unido ao de Portugal e Algarves. Essa série de 5 moedas, hoje conhecida como “série especial”, e composta de

-2 moedas de cobre ( 20 e 40 Réis ),

-2 moedas de ouro ( 4000 e 6400 Réis ) e

-uma moeda de prata ( 960 Réis ).

Convém ressaltar que o desenho colonial não foi alterado. A alteração do desenho somente se deu em meados de 1818. Em 1817, e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com legenda e desenho da Colônia.

Imagem

Figura: Patacão da Colonia com legenda original “ JOANNES .D. G. PORT. P. REGENS. ET. BRAS. D.” (JOANNES.Dei.Gratia. PORTugaliae. Princeps. REGENS. ET. BRASiliae. Dominus)*.

*João pela Graça de Deus Principe Regente de Portugal e Senhor do Brasil.

No "patacão" da chamada série especial (figura a seguir) a legenda, de anverso, passa a ser “JOANNES.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.P.REGENS" (JOANNES.Dei.Gratia.PORTugaliae.BRASiliae.ET.ALGarbiorum.Princeps.REGENS)(*¹) , mostrando a elevação do Brasil à condição de Reino Unido ao de Portugal e Algarves. (Patacão da série especial)

(*¹) João pela Graça de Deus Principe Regente de Portugal, Brasil e Algarves.

Imagem

Figura: 960 Réis de 1816R, série especial, com desenhos da Colônia, mas já fazendo parte do Reino Unido.
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#28 Mensagem por numismatica_bentes » sábado set 22, 2007 8:17 am

Em 1817 e parte de 1818, as moedas voltaram a ser cunhadas com o desenho colonial antigo e legenda original ( JOANNES.D.G.PORT.P.REGENS.ET.BRAS.D ), apesar do Brasil nao ser mais uma colonia.
Posteriormente, com a coroaçao (1818), D.Joao passou da condiçao de Principe Regente para D. Joao VI, que aprovou o novo desenho e a nova legenda para as moedas que seriam cunhadas no Reino Unido (JOANNES.VI.D.G.PORT.BRAS.ET.ALG.REX ). Dessa forma, foram cunhados ( com letra monetaria R ), no periodo que vai de 1816 a meados de 1818 , patacoes com:

a) Desenho Colonial e legenda original, tendo D.Joao como Principe Regente.

b) Desenho Colonial e legenda alusiva a elevaçao do Brasil a categoria de Reino Unido, tendo D.Joao como Principe Regente (1816R – serie especial)

c) Desenho Colonial, retornando a legenda original (1817R e 1818R), ainda com D.Joao como Principe Regente, apesar do Brasil nao ser mais considerado uma colonia.

d) Desenho e legenda novos (Reino Unido – 1818R)

Assim sendo, existem dois tipos diversos de patacoes com a data 1816R, um tipo com a data 1817R e dois tipos com a data 1818R.

Imagem
Figura: Patacao 1816R da serie especial com desenho da colonia e legenda alusiva ao novo Reino Unido (D.Joao Principe Regente).

Imagem
Figura: Patacao 1817R, com desenho e legenda da Colonia, cunhagem do Reino Unido ( D.Joao Principe Regente).

Imagem
Figura: Patacao 1818R, com desenho e legenda da Colonia, cunhado no Reino Unido (D.Joao Principe Regente).

Imagem
Figura: Patacao 1818R, com desenho e legenda novos do Reino Unido (D.Joao VI, Rei de Portugal, Brasil e Algarves).
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#29 Mensagem por numismatica_bentes » sábado set 22, 2007 8:42 am

2) COLEÇAO POR DATAS – E o tipo de colecionismo mais comum entre os numismatas. Os poucos catalogos brasileiros, em sua maioria, apresentam as moedas dispostas, inicialmente pelo metal em que foram confeccionadas (ouro, prata, cobre, etc) e a partir dai, sao ordenadas de acordo com as datas e em cada data, vez por outra, sao apresentadas as variantes classicas. Esta forma de colecionismo requer um investimento consideravelmente maior que aquele dispensado à coleçao por tipos, sem contar que algumas datas sao consideradas rarissimas ou mesmo peças unicas, o que praticamente impossibilita o “fechamento” de uma coleçao completa de moedas de 960 Réis (por datas). E indicada aos colecionadores que por, presumivelmente, ja possuirem uma coleçao por tipos com muitas peças, ja adquiriram experiencia e conhecimento suficientes para se dedicarem a esta forma de colecionismo.

3)COLEÇAO POR VARIANTES – Como o processo de cunhagem era mecanico, exigindo constantes trocas dos cunhos de anverso e reverso, devido a empastamento (desgaste) ou ate pela rachadura e quebra dos mesmos, diversas matrizes de uma mesma data eram feitas. Como os cunhos eram abertos a mao, era praticamente impossivel que um cunho fosse igual ao outro. Alguns pesquisadores como Lupercio Gonçalves Ferreira (no seu Catalogo das Variantes dos Patacoes da Casa da Moeda do Rio de Janeiro) e Renato Berbert de Castro (no seu Catalogo das Variantes dos Patacoes da Casa da Moeda da Bahia), ja relacionaram e cadastraram, com base na observaçao de um grande numero de exemplares, uma grande quantidade de variantes. Porem, esse numero nao pode ser considerado definitivo uma vez que, volta e meia, surge uma nova variante devido a combinaçao de um determinado cunho de anverso com outro de reverso, ou mesmo devido a um cunho novo (o que é mais raro).
Esse tipo de colecionismo requer alguns conhecimentos basicos dos elementos que constituem os cunhos de anverso e reverso de um patacao tais como a perolagem da coroa e as partes da esfera armilar. Alem dos catalogos especializados citados acima, boas lentes ou uma lupa estereoscopica, sao recomendadas.

Como algumas variantes tornaram-se classicas como o “COROA de 640 REIS” e o “IGNO” entre outras, estas passaram a ser incluidas em catalogos nao especializados no assunto.
E dificil avaliar as outras variantes! Como regra, adotam-se preços diferenciados entre as variantes comuns (C), as raras (R), as muito raras (RR) e as rarissimas (RRR).

Imagem
Figura: Patacao com Coroa de 640 Reis. Variante 4A (Catalogo Descritivo dos 960 Réis da Casa da Moeda da Bahia) dos autores José Serrano Junior e Flavio Barbosa Rebouças. Floroes intercalados por pontos, Frontal com uma pérola e Legenda apresentando a serifa do A de JOANNES com reentrancia no "O". No catalogo Berbert de Castro, a mesma variante aparece com o numero 12.

Imagem
Figura: Patacao com erro na inscriçao de legenda (IGNO, onde se deveria ler SIGNO ).
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#30 Mensagem por numismatica_bentes » sábado set 22, 2007 8:54 am

4) COLEÇAO DE RECUNHOS – Essa modalidade de colecionismo baseia-se na pesquisa da moeda-base na qual o patacao foi recunhado. A dificuldade reside no fato de que os vestigios da moeda-base ficam, por vezes, imperceptiveis sob a cunhagem brasileira.
Os conhecimentos necessarios aqueles que desejam se dedicar a esta forma de colecionismo, devem ser bastante amplos, devendo o colecionador conhecer, alem das caracteristicas dos cunhos dos patacoes, os pormenores das moedas que serviram de base aos 960 Réis, o que nao é tao simples pois, nao so os pesos espanhois serviram de base à moeda brasileira. Por possuirem o mesmo tamanho, o mesmo peso (em torno de 27 gramas) e serem do mesmo tipo de prata, peças oriundas de varios paises europeus e ate mesmo dolares americanos, dos quais sao conhecidos pouquissimos exemplares, serviram de base na cunhagem dos 960 Reis.
Como a literatura dedicada a essa forma de colecionismo e muito escassa, o colecionador deve ter, alem de uma boa dose de paciencia, conhecimento e experiencia indispensaveis. O Catalogo de Recunhos de autoria de David André Levi, além de uma lupa estereoscopica, boas lentes e iluminaçao direta sao aconselhaveis. Esse tipo de colecionismo e indicado para numismatas mais avançados, mas sem duvida, alem de educar e instruir, proporciona momentos inesqueciveis de estudo e lazer, fornecendo aqueles que a ele se dedicam, fontes quase inesgotaveis de pesquisa.

Imagem
Figura: Brazil - D. Pedro I - Raro 960 Réis 1822R S/ Chile Independente, com todos os detalhes da moeda chilena visiveis, sem auxilio de lupa. Por si so, a data ja é considerada excassa e dificil de ser encontrada neste estado de conservaçao. A combinaçao com a base chilena a torna ainda mais incomum e, neste estado, se torna verdadeiramente rara - Moeda do acervo particular da Numismatica Bentes.
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