Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

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Rogbert
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Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#1 Mensagem por Rogbert » quarta mar 12, 2014 11:36 pm

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Caros Colegas,
Volta e meia aparece a pergunta e as dúvidas sobre o Carimbo de Piratini. Se foram ou não feitos na época ou após, se eram oficiais ou não. Kurt Prober em seu catálogo sobre o Cobre, fala que existe somente um AUTÊNTICO, os outros 4 ou 5 tipos seriam falsificações feitas a partir de 1924 no Rio de Janeiro.
O AUTÊNTICO que Prober fala, creio ser em termos de o original. Agora se ele foi realmente feito na época da República de Piratini, após ela, se oficial, ou por um indivíduo, ou mesmo quem sabe um ensaio de um possível carimbo a ser usado, nunca se chegou a um ponto comum.
Eu em meus passeios pela internet lí muitos documentos, com os quais junto com conversas com alguns amigos, formei a minha opinião particular. E é isso que expresso aqui, minha opinião particular, pois respeito a de cada colega.
Sempre que converso sobre as peças, recordo dos documentos que lí, muitos não achei mais, mas estes dias consegui reencontrar uma parte deles, e fiz um pouco mais de pesquisa. Decidi para não perder mais colocar aqui o que achei e minha opinião.
Em tudo que li, sempre soube que a República Rio Grandense nunca fez uma carimbagem oficial em cobre ou qualquer metal, então o carimbo fica em duas hipóteses, ou um ensaio de um carimbo, ou alguma emissão particular para comemorar antes ou depois do período, possivelmente depois.
Com isso fico na opção de algo particular. Carimbos particulares em cobres eram muito comuns, como podemos ver no próprio Prober com sua lista extensa deles, e também digo isso pela sua escassa quantidade do dito AUTÊNTICO pelo Prober.
E de onde tiro estas conclusões? Vejam abaixo alguns documentos que achei na internet, infelizmente a qualidade dos documentos é ruim, mas é possível entender o conteúdo, sei que é muita coisa, mas é para que possam saber de onde vem meus argumentos :

Textos retirados da Revista do instituto Histórico Geographico e Ethnographico do Brasil de 1883.
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Indice que lista quase 400 páginas de documentos sobre o assunto.
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Nota que fala sobre o recolhimento do cobre.
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Imagem do Conhecimento para o recolhimento do Cobre.
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Agradecimento de 13/08/1838 de entre outras coisas, do recolhimento do cobre.
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Nota de 01/07/1839 falando do sucesso do recolhimento do cobre.
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Nota de 28/02/1843 sobre aceite de cobre no limite de 100 réis. (embora recolhido, ele continuava a entrar através do comércio, e a falta de troco miudo forçou a República Rio Grandense a aceitar o cobre que deveria ser recolhido como pagamento de troco)
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Curiosidade sobre a possibilidade de se cunhar moeda de prata de 100 réis em 1839 para troco.
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Jornal O POVO de 1838 feito na República Rio Grandense, com o decreto do Recolhimento do cobre.
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Sobre tudo isso, se percebe o seguinte, a posição que teve a República Rio Grandense foi muito semelhante a do Império, recolher o cobre que estava causando problemas no comércio, e sua troca por conhecimentos em papel. Em nenhum momento se fala de carimbar e retornar o cobre carimbado, apenas sua retirada, a qual é muito bem vinda pela população.

Se fala de um volume provável de 33 contos de réis de conhecimentos. Mesmo somente com parte dele recolhido, seria um volume considerável, se ele foi efetivamente carimbado, deveria haver muito, muito mais peças por ai hoje em dia, não somente algumas peças.

Há outros trechos que falam os mesmos assuntos, não os coloco aqui. Juntando tudo isso chego a conclusão :

- Na República Rio Grandense existiu o recolhimento do cobre como no império, mas diferindo que sem a intenção de voltar a circulação.
- O cobre sempre era trocado por conhecimentos, e houve até a possibilidade de emissão de moeda de prata (pena que nunca se realizou) de 100 réis ou menos para suprir o troco, necessidade que não ocorreria se o cobre fosse carimbado e retornasse a circular.

E é por isso, que na minha opinião o carimbo é algo comemorativo e particular. Ouso até dizer que ele segue o mesmo caminho que o carimbo de ICO, que Prober coloca como um carimbo particular, com diversos falsos, carimbados em quantidade e feitos para alimentar os colecionadores, onde os originais são contados nos dedos, e com os originais perdidos no meio deles.

Mas como eu disse, é uma opinião particular de alguém que tem muito a aprender ainda, mas também gosta de expressar o que acha.

Quem discordar ou tiver algo a dizer fique a vontade, reconheço que com opiniões iguais não se aprende nada de novo, divergências em um assunto só aumentam nosso conhecimento.

Um abraço,

Rogério











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Clayton Mesquita
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#2 Mensagem por Clayton Mesquita » segunda dez 21, 2020 11:14 pm

Outro dia eu vi um anúncio de um ensaio da moeda da república de Piratini e por ainda não ter os meios necessários para saber se é autêntica eu não a comprei. Existem diversas moedas com o carimbo de Piratini e agora que estou aprendendo como identificar as verdadeiras. Voltando ao assunto do post... Na minha humilde opinião a República Riograndense não quis recolher o cobre, carimbar e devolver ao meio circulante para que os cidadãos não se sentissem ainda como colonos de Portugal, ora, por que se separar do império mas ao mesmo tempo seguir os mesmos passos da metrópoli?
Em busca do dobrão perdido!

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doliveirarod
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#3 Mensagem por doliveirarod » terça dez 22, 2020 3:22 am

Parabéns Rogbert!
Vou colocar nos inamovíveis seção império, ok?
Essa foi sempre a impressão que eu tive desses carimbos, ngm mostrava um documento sequer que falasse claramente da carimbagem de moedas na RRG, e o Prober nunca explicou direito o porquê de ter considerado o exemplar de espada curva como o autêntico.
Por esses motivos eu mesmo nunca me animei a adquirir nenhuma.
http://www.megaleiloes.com/leiloes.php? ... liveirarod ML - http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_14426169
"O colecionador é um homem mais feliz"
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Rogbert
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#4 Mensagem por Rogbert » terça dez 22, 2020 11:59 am

Caro doliveirarod,

Grato pelo interesse, e se quiser colocar eu ficaria honrado.

É uma opinião antiga, de 2014, mas depois de muito mais ouvir sobre o assunto não mudo esta opinião.

O que posso acrescentar hoje é que tudo indica que parte deles seriam carimbos comemorativos principalmente de filatélicas antigas. Uma curiosidade, os com PIRATINI escrito nunca seriam da República Rio-Grandense, pois República de Piratini era como o Império chamava jocosamente os revolucionários, eles próprios nunca se chamariam assim.

E hoje temos mais problemas nisso, pois novamente os carimbos tem sido copiados e peças carimbadas para enganar colecionadores. O problema é que já fazem carimbos muito semelhantes aos mais antigos. Vi um caso de 2 carimbos iguais na mão de uma mesma pessoa. Muito suspeito 2 juntos assim.

Novamente, creio que existam os mais antigos e os após 1920 feitos para o mercado e por filatélicas.

Quanto a colecionar, fica a gosto de cada um, é um carimbo que representa um período histórico muito interessante, mas tenho opinião que não é correto os colocar como usados no período para a circulação do cobre.

Abraços.

jaimecosta
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#5 Mensagem por jaimecosta » domingo jan 03, 2021 1:52 pm

:clap3: Excelente post
Preservar o passado para que o futuro possa aprender

missioneiro
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#6 Mensagem por missioneiro » domingo jan 03, 2021 3:41 pm

Este eh um assunto de grande interesse para minha colecao. Possuo varios cobres com supostos carimbos Piratini, infelizmente nao estao comigo no momento para postar fotos.

O que eh conhecido sao que todos os carimbos com legenda 7 SEPTEMBRE, PIRATINI e espada reta sao falsificacoes modernas, muitos feitos para a comemoracao do centenario da REv. Farroupilha de 1935 que foi celebrada com uma grande feira estadual no RS.

O carimbo ainda tem espaco para discussoes sobre sua utilizacao, porem realmente nao encontrei tambem em minhas pesquisas fonte fidedigna do periodo revolucionario informando sua utilizacao ou autorizacao.

Porem encontrei em outras fontes contemporaneas referencias as cedulas, entretando NUNCA vi nenhum exemplar das cedulas farroupilhas, existe conhecimento de algum exemplar sobrevivente?

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Rogbert
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#7 Mensagem por Rogbert » domingo jan 03, 2021 8:33 pm

Caro missioneiro,

Lí muitos jornais de época, e após recolhidos estes conhecimentos eram queimados, então quase não existem hoje. Mas sabemos que existiram pelos relatos do uso e da sua queima.

Se recordo bem só se conhecia um, e era da coleção de José Vinicius do Amaral, que fez o catálogo de cédulas de 1982. Parece que ele foi a leilão faz uns 4 ou 5 anos com muitas cédulas da coleção dele que apareciam no catálogo. Depois ouvi falar de outros, até de um em museu no sul, mas não sei se eram estes conhecimentos realmente ou outros mesmo ou o mesmo que foi citado. Mas posso estar lembrando errado...

Mas ver realmente também nunca vi um. Em suma, são muito raros e poucos são conhecidos se não for um único.


Abraços.

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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#8 Mensagem por LSalema » terça jan 05, 2021 6:34 pm

Parabéns Rogbert!

Excelente postagem. :thumbs:

Abraços.
Cumprimentos,
Lincoln Salema
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O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro (Ec 5.10a)
https://www.delcampe.net/en_GB/collecta ... incoln2307
https://casadocolecionador.com.br/loja/salema/
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Rogbert
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#9 Mensagem por Rogbert » quinta jan 07, 2021 7:33 pm

Caro missioneiro,

Achei aqui os textos que falavam sobre os conhecimentos, segundo este texto de 1962 há um no Museu Histórico Nacional.
É o número 12 da lista, então temos ao menos um que sobreviveu. Parece que podem haver outros, mas um temos sim um para conhecermos.
Quem sabe alguém próximo ao MHN consegue imagens da peça.
Não diz o valor do conhecimento, mas se seguiram o descrito o jornal O POVO e não feitos mais posteriormente, foram emitidos (e foram relativamente poucos, na conta 1.300 cédulas com 33.000.000 Réis):

Conhecimentos de 10.000 Réis - 500 cédulas
Conhecimentos de 20.000 Réis - 300 cédulas
Conhecimentos de 30.000 Réis - 200 cédulas
Conhecimentos de 40.000 Réis - 150 cédulas
Conhecimentos de 50.000 Réis - 100 cédulas
Conhecimentos de 100.000 Réis- 50 cédulas

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Na lista do MHN há também conhecimentos do recolhimento do cobre de 1828 na Bahia, que também são muito raros, mas este já ví imagem de um uma vez, um bem deteriorado, mas era de 1828.

Abraços.

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Rogbert
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Re: Moedas de Cobre na República Rio-Grandense

#10 Mensagem por Rogbert » quinta fev 11, 2021 2:36 pm


Pessoal, entrevista de Cláudio Schroeder no youtube feita por Oswaldo M. Rodrigues Jr onde é comentado no comecinho do vídeo do carimbo e as cédulas. Ele fala que rastreou 5 cédulas do troco do cobre da Republica Rio Grandense, entre outros detalhes.

Primeiras informações sobre os carimbos e a Republica Rio Grandense mais profundas e que conheci foi ouvindo o Cláudio, ele conhece muito do assunto.

Quem quiser ver :

https://www.youtube.com/watch?v=zexG_IR8IzQ

Abraços.


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