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Mensagem
por RBNumis » sexta jan 10, 2020 3:36 am
Antes de mais nada: PAREM de chamar essa moeda de ''coletinho''. A peça de roupa ilustrada na numisma é um GIBÃO, não é um COLETE. O Gibão é uma peça de roupa acolchoada, geralmente em couro bem grosso, com ou sem mangas, e tem como função principal proteger o bandeirante (contra insetos, animais peçonhentos tais como cobras, escorpiões, lacraias, comunistas, mosquitos e outros parasitas, e PRINCIPALMENTE contra setas indígenas) ao adentrar nas selvas do interior do Brasil. Tem a função talvez parecida ao atual ''colete (arghh!) à prova de balas" da polícia, (será daí que alguns numismatas burraldos passaram a chamar de ''colete''?) mas no caso, era pra amortecer flechas dos índios. Mas não é um colete, é um GIBÃO BANDEIRANTE. A diferença é ENORME.
Não vou mencionar balança e paquímetro, pois isso é regra geral para TODA e QUALQUER moeda. Geralmente o uso desses dois instrumentos já basta pra identificar quase tudo que é falso. Mas a imensa maioria dos pretensos numismatas que conheço, sequer tem esses dois instrumentos! Imagine então que eu ia mencionar MICROSCÓPIO de bolso aqui, com aumento entre 40-100x! Aí fica complicado...
Temos ainda o exame da serrilha. A olho nu mesmo. A serrilha dessas peças em especial é algo imperfeito. Serrilhas perfeitinhas demais, ligue o sinal de alerta.
Além disso, temos:
1) Onde eu bato o olho primeiro é: As originais tem 3 riscos dentro do "R" de "Réis". Na falsificação, a gola do Gibão é mais fina e possui linhas verticais mais precisas.
2) Há de se averiguar a qualidade da cunhagem, a profundidade dos sulcos do design, etc. É pra isso que servem as lupas na numismática. Não as lupas chinesas de plástico, mas as boas - e infelizmente, caras - lupas de vidro. (Microscópio aqui também. O meu é do tamanho de um isqueiro, trago no bolso e aumenta 40-100x). No original é possível distinguir fios de barba individuais no busto, especialmente se a moeda for flor de cunho e estiver bem cunhada. Na falsificação, a barba é mais arredondada e de poucos detalhes (“barba postiça de papai noel”).
3) No canto superior direito, na palavra DA (da frase “centenário DA colonização”): No original, possui dois pontos, ficando •DA• e na falsificação, em geral e na maioria delas só há ponto no lado esquerdo, ficando •DA. Mas cuidado, há exceções a essa regra.
4) No forro inferior do Gibão, são 7 linhas verticais no original. Na falsificação, são 8 linhas.
5) O padrão xadrez do Gibão é arredondado no original, dando a sensação de enchimento e acolchoamento, tal como é mesmo um verdadeiro GIBÃO BANDEIRANTE. Na falsificação, são linhas extremamente retas, tal como um mero COLETE de pano pintado de xadrez. (Entenderam agora a minha birra com o nome de ''coletinho''?).
6) Existem as falsas chinesas modernas e atuais, do tipo que não enganam ninguém (com aspectos diferentes no design, como p. ex. faltando a fivela do cinto do gibão bandeirante - de novo: esse é o nome do ''coletinho'' -, ou com o bandeirante João Ramalho com olhos puxados parecendo um chinês, serrilha que faz a moeda parecer uma roda dentada de engrenagem, quando as originais são sulcadas, e etc) Dessas, existem uns 3 ou 4 tipos diferentes, de "casas da moeda" chinesas diferentes... e também existem as falsas de época, bem feitas aqui mesmo no Brasil, que circulam abundantemente nas casas numismáticas e encontros, nas mãos dos ''grandes comerciantes'', e que podem enganar facilmente aqueles que não examinam suas peças recém adquiridas com uma boa lupa. A pessoa compra confiando no suposto e alegado ''renome'' do fulano comerciante, e leva fumo. Mas é bom que a pessoa aprende a confiar no SEU PRÓPRIO conhecimento e não no dos outros, não é mesmo?? Dessas, já vi de dois tipos diferentes, sendo que, até onde pude averiguar, uma foi feita ainda nos anos 1930's, e outra nos anos 1970's, por um camarada chamado Moise Gabbai, que se dizia ''artesão em moedas'' - o mesmo que fez aqueles acrílicos pra moedas do sesquicentenário da independência. Agora veja: São falsas com seus no mínimo quase 50 anos de idade e em metal amarelo (latão), ou seja, serão encontradas com lindas pátinas! Todo cuidado é pouco...
7) Essa moeda NÃO CIRCULOU na mão do povão, ao contrário das demais da mesma série. Essa de 500 réis foi feita para colecionadores, por isso a baixa tiragem de 30 e poucos mil. Portanto, só deve ser adquirida FLOR DE CUNHO. Abaixo desse estado de conservação, ou a peça foi mal armazenada, mal cuidada, (e aqui o preço de mercado deve - ou deveria - cair exponencialmente) ou se aparentar estar desgastada por circulação, é provável falsa.
8) Por fim, se você é iniciante, tem pouca experiência em examinar moedas, recomendo que antes de comprar essa peça, leia tudo o que puder sobre falsificação de moedas. Há bons livros e muitos artigos e vídeos gratuitos na internet, infelizmente quase tudo em inglês, mas dá pra aprender muita coisa. Lendo, você aprende a saber onde e como olhar pra uma moeda em busca de indícios de fraude e falsificação.
9) Se você tem R$ 700 pra comprar essa moeda (que custava R$ 40 até 2012, e cujos preços foram artificialmente inflados por leiloeiros de facebook, pessoas totalmente analfabetas em numismática, mas ensandecidos por dinheiro e com uma ganância desmedida), use a sua massa cinzenta e compre um patacão 960 Réis, ou um cobre colonial acima do MBC. Ambos são peças únicas! Não acharás outra igual! Não percais vosso tempo com essa moeda sem história e feita pra ser colecionada, e que é alvo de especulação artificial. Essa é uma peça para bobalhões.
10) Alguns pilantras estão falsificando até mesmo o estojo de madeira redondo onde a série vinha acomodada. Existem dois tipos de estojos originais, onde se diferenciam na disposição com a qual as numismas são acondicionadas no mesmo: O primeiro, é como se tivesse sobrado um espaço pra por mais uma moeda, (mas sem terem feito o buraco) e o segundo as moedas formam um pentagrama. Os originais tem o logotipo CASA DA MOEDA - BRASIL com o desenho do edifício da CM simplesmente CUNHADOS NA MADEIRA da tampa do estojo, (não é esculpido!), algo dificílimo de ser falsificado. Se for gastar dinheiro nisso, compre o ORIGINAL. Não deixe lixo falsificado de herança aos seus familiares.
11) Se você é do tipo ''vou comprar a réplica chinesa pra tapar o buraco no álbum''... Para ser educado e não mandá-lo direto às favas, recomendo que vá colecionar tampinhas de garrafa. Saia da numismática, essa ciência, que requer ESTUDOS, não é para você. Além disso, aqueles que compram estas falsificações para revenda no mercado numismático brasileiro, mesmo que as vendam anunciando como “réplicas”, são tipicamente uns vagabundos sem moral, sem o menor caráter e de baixíssima reputação. Este tipo de safado deve ser extirpado do meio numismático, como o escória que é, tal como se arranca uma erva daninha de uma horta. Devem ser amplamente denunciados tal como o bandido canalha que é, e fazer constar o nome nas Listas Negras da numismática nacional. Já diz um nobre membro desse fórum: NÃO COMPRE FALSIFICAÇÕES CHINESAS, NÃO COLABORE COM MERCADO CRIMINOSO.
É isso. No mais, eu abandonei a numismática recentemente e já me desfiz de 100% de minhas numismas. Postei aqui hoje a pedido de um amigo que viu o tópico e pediu minha ajuda. Portanto, ''postei e saí correndo'', e provavelmente não irei voltar a este tópico. Desculpem a sinceridade nas palavras, mas mais vale a dor da sinceridade do que os afagos da mentira. Abraços a todos.