O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Portugal

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tm1950
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por tm1950 » sexta mar 14, 2014 7:38 pm

Localizo o último pico dos valores das moedas em Portugal no período de 1999/2001 (nas notas entre 2000 e 2002). Fora deste período estarão algumas moedas de ouro e prata portuguesas que tiveram as suas valorizações noutra época devido a diferentes razões.
Atendendo aos valores excessivos que as moedas atingiram os preços teriam que cair, não sendo sustentáveis. Por outro lado, a classe média, como grande impulsionadora deste mercado, foi perdendo poder de compra o que contribui para a diminuição da procura. O fervor colecionista foi sendo abalado e as colecções foram ficando para trás, pois outras necessidades, outras prioridades surgiram.
Creio que até 2008 o panorama foi este: preços a caírem, colecionadores afastados, maior oferta disponível.

Com a crise financeira mundial vieram ao de cima as fragilidades da economia portuguesa. Veio a Troika. Vieram as “reformas estruturais” baseadas nos cortes dos salários e pensões, no enorme aumento dos impostos e na redução de benefícios sociais. Caiu o investimento. Vieram as falências, o desemprego, a emigração. Uma das consequências deste estado de coisas foi que o poder de compra da tal classe média continuou a diminuir. E como a poupança aumentou assistiu-se a uma forte redução na procura e ao consequente acentuado declínio do valor das moedas, que ainda se mantém. Acresce a isto o aumento da oferta provocado por colecções vendidas e por muitas moedas que estavam esquecidas em casa de muitos particulares que foram redescobertas e passadas a patacos para fazer face às dificuldades.
Dizem alguns entendidos que hoje a economia portuguesa está a dar sinais positivos. Dizem outros que a dívida é impagável e deve ser renegociada. Outros ainda que as reformas estruturais vêm aí, agora a sério. Seja como for, julgo que é preciso dinheiro para o colecionismo e enquanto ele não aparecer a retoma do entusiasmo colecionista não se verificará. Creio que o mercado não bateu ainda no fundo.
Os meus palpites para o futuro 2015 ficam para nova intervenção. :D


Celso.
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Caetobriga
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por Caetobriga » sexta mar 14, 2014 8:03 pm

Eu nem quero que bata no fundo. Apenas quero comprar uma moeda de 1000 escudos que até nem é rara ao preço que realmente vale uma moeda com essa tiragem ( tou a falar do Lobo). A crise afastou aqueles que se refugiaram nas moedas como valor seguro e sempre crescente (fruto também de anuários actualizados à taxa de inflação). Também aconteceu o mesmo nos selos e ainda existem coleccionadores. Lamento mas não tenho uma visão investidora do meu ajuntamento é um hobby apenas.

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carlos47
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por carlos47 » sexta mar 14, 2014 8:19 pm

já vi a venda a 50 euros,não creio que possa descer mais,creio que actualmente 50 a 60 euros será um preço correcto

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Jorge Silva
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por Jorge Silva » sexta mar 14, 2014 8:49 pm

É preferivel a Proof e. g.
1-menos emissão.
2-mais Prata.
3-acabamento Proof.
4-pouca diferença monetária.
Cumprimentos

Jorge Silva

" A medalha deve ser acarinhada como uma arte nobre da escultura ".

https://betaleiloes.net/os_meus_leiloes.php

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tm1950
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por tm1950 » quarta mar 19, 2014 5:03 pm

Li num semanário da nossa praça que o Presidente Cavaco Silva, no novo prefácio, sublinha que num cenário de crescimento nominal do PIB e taxa de juro idênticos de 4% e com um excedente primário de 3%, a dívida pública portuguesa só regressa a 60% do PIB em 2035.
Para o Primeiro-Ministro Passos Coelho bastaria um crescimento nominal de 2,5% com um excedente primário de 1,8% do PIB. O problema é que, pelas contas do semanário, para a dívida chegar aos 60% do PIB seriam necessários 145 anos.
Faço notar que o objectivo não é o pagamento da dívida, mas sim atingir 60% do PIB.
Sejam quais forem os cenários, as variáveis, as projeções, as fórmulas de cálculo a utilizar, parece-me que, no imediato, a austeridade está para ficar e vai haver pouco dinheiro disponível para as coleções. Possivelmente nos próximos 5 anos. Após este período e até 2015 poderá haver um novo folgo colecionista, embora com um crescimento lento e gradual.
O ser humano é um colecionador nato e, com altos e baixos, vai continuar a gostar de juntar os seus trastes, gosta de os ter, os estudar, os apreciar, os valorizar e até os maltratar.

Moedas de Euro
Não coleciono moedas de euro, mas tenho a minha opinião sobre o assunto.
Considero os colecionadores de apenas moedas de euro mais voláteis que os outros colecionadores, podendo entrar e sair das colecções com uma maior facilidade. Mais impulsivos e com menor capacidade crítica, deixando alguns no ar a ideia de que coleccionam moedas como se fossem cromos. Não considero que estes aspectos sejam defeitos ou virtudes, mas ajudam-me a caraterizar estes colecionadores.
Penso que o colecionismo das moedas de euro vai entrar numa fase mais racional, mais madura, em que haja mais conhecimento, mais critério, mais massa crítica e mais noção sobre o que se passa. Pagar mais do dobro por uma moeda no dia em que ela saiu, numa emissão de 500.000 exemplares, não deve voltar a repetir-se.
Estou convencido que muitos deste colecionadores vão alargar as suas colecções a outro tipo de moedas e poderão amadurecer e revitalizar o seu entusiasmo colecionista. É claro que as disponibilidades financeiras limitarão a actividade destes colecionadores.


Moedas da República
São estas as moedas que mais oscilam nos preços, em Portugal. Quando o mercado arrefece caem com mais estrondo e com a recuperação da chama colecionista têm uma reacção mais forte. É possível que muitos colecionadores tenham saído e não será fácil absorver a grande quantidade de moedas que apareceram com esta crise. Moedas que se encontravam adormecidas, meio perdidas nas gavetas e nas caixas esquecidas. Foi a necessidade que as trouxe à tona e ao mercado.
Creio que as moedas em estados de conservação mais elevados – belas e soberbas serão as primeiras a recuperar e que as moedas mais coçadas terão cada vez menos procura. As moedas de prata em pior estado de conservação têm sempre o cadinho à sua espera, dependendo do valor deste metal.
Este tipo de moedas poderá ser uma porta de entrada para alguns colecionadores de moedas de euro que pretendam diversificar a colecção.

Moedas da Monarquia
São as moedas portuguesas mais estáveis quanto ao seu valor comercial.
As moedas de ouro poderão manter a sua procura dependendo do mercado estrangeiro, em especial o brasileiro.
Nas restantes moedas continuará a manter-se alguma procura nas moedas em melhor estado de conservação. Alguns tipos de moedas mais comerciais, como os cruzados e patacos, podem reagir mais rapidamente.
Julgo que faz sentido aparecerem colecionadores mais dedicados e especializados em determinados tipos de moedas.
Será sempre um tipo de colecção mais exigente, quer no esforço financeiro necessário, quer no maior conhecimento requerido, e virada para o colecionador mais experiente.


Moedas das colónias
Têm vindo a perder interesse este tipo de moedas, apesar da oferta ser grande e os preços caírem, nomeadamente das moedas relativas ao período da República.
É possível que estas moedas venham a perder algum interesse colecionista, embora constituam uma temática interessantíssima, onde existem exemplares fáceis de encontrar e em bom estado de conservação. A retoma do entusiasmo colecionista poderá chegar mais tarde a esta secção das moedas portuguesas.

Bibliografia
Concordo que o conhecimento obtido através da prática é importante: observar as moedas, compará-las com outras, visitar feiras e exposições, trocar impressões com pessoas do meio, frequentar o fórum, enfim, tudo isso é bom, mas haver uma base teórica sólida é igualmente importante.
Porém, tenho verificado que as pessoas estão arredadas dos livros. Ou porque não sabem ou não querem ler, ou porque pensam que não vale a pena, ou por outras razões, as pessoas não lêem, não os consultam. Cada vez mais, os catálogos serão dos poucos livros de Numismática a consultar.
Assim sendo, os valores comerciais dos livros da especialidade tenderão a cair, pois terão interesse apenas para um núcleo restrito de pessoas. Admito que alguns até gostem de ter as obras em casa, não será para as ler, consultar, ter acesso a toda a informação, mas apenas para enfeitarem as prateleiras das estantes.
Celso.
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carlos47
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por carlos47 » quarta mar 19, 2014 8:04 pm

celso eu não sou assim tão pessimista quanto a falta de vontade de ler,o que penso é que há uma enorme oferta de informação online (e gratuita)
desde que aprendi a ler até aos 40 anos sempre dediquei horas por dia na leitura ,há mais de 15 anos que não compro um livro, até os jornais deixei de comprar
não sobra tempo para livros, há tanta coisa que temos vontade de saber,de aprender ,aqui basta um clic e dispomos da informação procurada, mais aquela que não procurava-mos e que apareceu pelo caminho, sem dar-mos por isso passaram-se horas

faltou a opinião sobre as antigas aquelas que há quem diga que são o apanágio da numismatica

RubenGMelo
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por RubenGMelo » quinta mar 20, 2014 1:47 am

Sou novo e ando à poucos anos a coleccionar, mais propriamente Notafilia, e desde o inicio tive a oportunidade de coleccionar moedas ou notas e após uma breve ponderação decidi cingir a uma determinada época e tipo de colecção, tendo optado unicamente e ressalvo o unicamente, por Notas da República Portuguesa. Não faço colecção de estrangeiras, ultramar, monarquia etc é mesmo só aquele determinado período. Sei que é mais difícil e dispendioso quando estamos restritos mas mesmo assim é possível uma diversidade de coisas, assinaturas, notas de substituição, provas de cor, espécimes etc,

O que tenho reparado na numismática, é que existe cada vez mais exemplares raros mais baratos e em estados de conservação que me surpreende às vezes, o mercado por todas as razões apontadas (crise financeira de muitas famílias, desemprego, um menor número de coleccionadores, etc) está saturado, as pessoas (comerciantes e muitos particulares) estão a desfazer de colecções, muitas vezes e infelizmente por necessidade.

Pela minha curta experiência é me possível tecer algumas considerações:

- A bibliografia referente à numismática é escassa, tornando-se praticamente inexistente quando se trata de um período em particular, ou de determinado tipo de colecção.
- Pessoal especializado em recuperação de papel moeda é uma raridade em portugal e os 3 ou 4 que existem pedem fortunas, sei que muitos coleccionadores não gostam mas julgo que existe peças por vezes tão raras e em tão mau estado que é um "crime" não recuperar. Atenção digo recuperar e não adulterar/inventar/estragar, recuperar é: regular a acidez do papel, realizar uma limpeza do papel, fornecer suporte, manutenção e conservação das colecções etc, actos que os especialistas fazem em todo o mundo nas obras de arte.
- Os leiloes online são 2x, 3x 4x mais baratos que as feiras que se realizam periodicamente, claro que existe vários problemas com o online, nomeadamente a descrição do artigo que mtas vezes é incorrecta mas a principal desvantagem é não ver o artigo com os nossos "próprios olhos".
- Em termos monetários, verifico que o material de várias empresas é na minha opinião acessível tendo em conta a excelente qualidade. Aliás julgo que estas empresas fizeram o ajuste do preço mais rapidamente que os comerciantes de notas (estes serão obrigados a baixar os seus preços mais).

Um abraço à comunidade
Ruben Melo
Cumprimentos,

Ruben Melo

Megaleilões: https://megaleiloes.pt/RubenGM/loja

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tm1950
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por tm1950 » quinta mar 20, 2014 11:42 am

No que diz respeito à notafilia portuguesa, creio que os pressupostos se mantêm, com a diferença que não terá havido uma pressão vendedora tão forte, porque há muito menos notas do que moedas, embora haja também menos coleccionadores.
Ainda assim, o valor comercial das notas caiu, em especial nos estados de conservação mais baixos.
Celso.
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mmartins
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por mmartins » sábado mar 22, 2014 5:03 pm

No ano passado, desabafei num tópico (que agora não encontro), uma observação que me deixou incomodado mas que decerto reflete aquilo que é a numismática para muita gente. Um amigo (até com alguma formação) dizia-me se ainda não tinha deixado isso, que era coisa de meia dúzia de velhos sem mais nada para fazer. Mais ou menos isto, não me lembro bem agora. A opinião dele valeu o que valeu, mas fiquei a matutar.

Genericamente, prevejo duas coisas até 2015:
1 - O colecionismo de qualidade a ter uma retração. A crise, a falta de dinheiro, o desemprego, etc, que já foram referidos, farão com que o dinheiro disponível seja menos e, por conseguinte, também se gaste menos. O colecionismo enquanto curiosidade por moedas em estados mais baixos a ter uma ligeira quebra.

2 - Os preços de há quatro ou cinco anos a corrigirem fortemente, especialmente os das moedas da república. Aliás, acho que tem mesmo de ser. Porque é que uns 10$00 de 1933, em estado soberbo, chegaram a ser vendidos por 900/ 1000€, quando no último ano vi à venda 8 novos, sem contar outros 2 ou 3 em coleções privadas? Ou porquê 75/100€ pelo famoso Lobo, com uma tiragem de milhares?

A médio e longo prazo, e talvez seja polémico o que vou dizer, acho que se poderia aproveitar eventos (como a Feira dos Colecionadores de Lisboa, por exemplo) para reunir pessoas de qualidade, com material de qualidade para voltar a fazer da numismática uma área de elite. Não de velhos, como disse o outro, mas de gente com conhecimento. Sabendo que as elites sempre foram cobiçadas, em pouco tempo a numismática voltaria a ser desejada por muitos, a abrir-se e a atrair novos valores.
Jorge ;)

RubenGMelo
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Re: O coleccionismo das peças associadas à Numismática, Port

Mensagem por RubenGMelo » sábado mar 22, 2014 11:59 pm

Boas Caro Jorge,

Concordo consigo em mtas coisas referidas por V/ Exc. mas não concordo com o facto da numismática dever ser restrito a uma elite!

O coleccionador sabe à partida que este é um "hobby" caro, dispendioso quer em tempo quer em dinheiro, mas onde deverá ser empregue muita dedicação. Eu sou novo 31 anos, e digo lhe que é com estes "velhos" que gosto de estar reunido, pois são eles que muitas vezes abriram as portas, as suas colecções, facultaram, venderam bem abaixo do preço algumas notas que disponho, e espero estar cada vez mais rodeado por estas pessoas que são autênticos "poços" de sabedoria na numismática.

Na Notafilia esta quebra dos preços foi menor por diversos factores: as notas são menos abundantes, pois tiveram uma maior recolha pelo banco de portugal entre outros factores, degradam-se mais facilmente, existe mto menos coleccionadores nesta área, etc etc, mas era inevitável acontecer uma correcção dos valores praticados.

O que me preocupa no meio disto tudo é a pouca adesão que a minha geração está a ter à numismática, dou lhe um exemplo sempre que posso vou ao Mercado da Ribeira, tirando alguns curiosos que por lá passam muitas vezes sou o mais novo que por lá anda a "vasculhar" nas notas. A numismatica precisa de "sangue novo" ou então terá cada vez menos interessados.

Por acaso era bom saber o que acha o pessoal mais maduro, se têm alguma noção que existia mais coleccionadores hoje ou no tempo em que eram mais novos!? Tenho quase a certeza qual será a resposta...

Um abraço a todos
RM
Cumprimentos,

Ruben Melo

Megaleilões: https://megaleiloes.pt/RubenGM/loja

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