Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Moedas cunhadas desde D.Afonso I até D.Pedro P.Regente

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fernanrei
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por fernanrei » terça mar 10, 2020 12:20 pm

Mmatos Escreveu:
terça mar 10, 2020 1:27 am
numisiuris Escreveu:
segunda mar 09, 2020 2:25 am
...
Deve-se, numa sociedade de informação cada vez mais sofisticada, proteger a numismática alimentando o misticismo do desconhecimento?

Ou, de outro modo, deve-se promover a informação e desse modo proteger a numismática?

Por outro lado, devem as amostras numéricas ser divulgadas? Ou devem os estudiosos escondê-las do leitor? Assim se protegendo a numismática?

Gostava de ouvir as opinioes dos foristas sobre este tema. Porque se a divulgaçao das amostras se revelar danosa para a numismática, terei que repensar o rumo de alguns estudos de cunhagem manual que tenho em curso. Não quero pensar pela minha cabeça apenas. Quero saber o que os demais foristas acham.
A prova maior que a "informação" (sendo "informação", neste caso, o conhecimento sobre a maior ou menor escassez de um determinado espécime numismático) afecta este nosso mundo das moedas, está no que se passa com as moedas da República. Muitos se lembram os preços astronómicos que algumas moedas ostentavam e a que eram transaccionadas há cerca de 25 anos +-. Hoje em dia, muitos desses exemplares aparecem a menos de um terço ou mesmo um quarto do valor que tinham nessa altura. Porquê esta descida de valor? A NET com o acesso que todos têm à mesma, veio mostrar que moedas que eram consideradas escassas, existiam em quantidades muito superiores às que antes se percepcionava, quando esse conhecimento era partilhado apenas por meia-dúzia de comerciantes. Mas este conhecimento generalizado afectou, não a numismática, mas sim o comércio de moedas (e respectivo lucro associado), que muitos confundem com numismática. Acho que o busílis da questão está neste ponto - a confusão entre comércio de moedas e numismática. A numismática é a ciência que estuda as moedas e a história a elas ligada. O comércio de moedas serve-se do interesse que os coleccionadores (alguns deles numismatas) têm pelas moedas para lucrar o máximo que podem, muitas vezes não olhando a meios para atingir os fins - veja-se o caso das chamadas moedas restauradas, que muitas vezes não passam de autênticas invenções que nada têm a ver com o estilo original da moeda. O choque está aqui - a muitos comerciantes a existência de conhecimento e divulgação numismática, tornando as pessoas mais cultas, mais atentas e não tão fáceis de enganar, impede-os de vender gato por lebre, coisa que antes era muito mais fácil. Não quero dizer com isto que todos os comerciantes são assim, felizmente existem algumas honrosas excepções... só que como todas as excepções, são em número menor dos que não são excepção.
Caro ilustre, concordo na integra com o que diz, mas se acrescentar o poder de compra e as técnicas mais agressivas de venda, fica uma apresentação perfeita. Sem dúvida alguma que há vendedores que se fazem passar por numismatas, alguns deles, nem sequer assumem que o são. Em relação aos vendedores assumidos, também sabemos que há de tudo, incluindo os que têm mais ou menos amigos, os que são adeptos de Stuart Mill e os que seguem a ideologia ética de Kant, os narcisistas e os modestos, os lícitos e os ilícitos e depois há os que acertam em tudo o que é bom, ou pelo menos dão a entender que sim! :think:, mas lá está, não é fácil agradar a gregos e a troianos. Deixando a questão das vendas para outras andanças, vamos ao que o tópico inquire; sem dúvida alguma que é importante partilhar toda a informação existente sobre o mundo das moedas, uma vez que a divulgação, fator determinante para a sustentabilidade da paixão, acrescenta valor e credibilidade ao meio. Só há um problema associado à partilha de informação, a questão da qualidade da mesma. Quem é que determina o que é bom e o que é mau? Pessoalmente, considero demasiado redutor esquecer os objetos de estudo e olhar apenas para alguns dados já sintetizados. Até pode ser muito positivo, mas quais são as garantias que aludem a um trabalho imparcial, rigoroso e fiel à verdade dos factos? Quando alguém olha para trás e não respeita os ancestrais, aqueles que abriram as primeiras portas e deixaram a massa para se fazerem os trabalhos, é no mínimo ingrato e deixa no ar demasiadas questões. Em relação aos trabalhos conhecidos do autor do tópico, só posso dizer que os deve continuar a partilhar, uma vez que os já conhecidos têm qualidade e o método de análise utilizado é muito assertivo.

Cumprimentos a todos. :thumbs:


"Quod erat demonstrandum"

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fernanrei
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por fernanrei » terça mar 10, 2020 3:22 pm

carlos47 Escreveu:
segunda mar 09, 2020 12:13 pm
Conhecia a parábola separar o joio do trigo
Neste caso parece haver interesse em isolar o trigo ,o Pedro o Iuri... quem se seguira?
Troca-se os estudiosos pelos copy paste?
Caro forista, no sentido de equalizar a minha opinião em relação ao que disse, um facto legitimo uma vez que o fez publicamente, venho por este meio fazer-lhe umas perguntas às quais só responde se quiser.
O caro Carlos47 leu todos os posts afetos aos assuntos debatidos ou apenas os últimos, nos quais estão expostas as ofensas que todos pudemos observar?
O caro forista concorda com este tipo de atitude, onde determinadas pessoas participam nos tópicos apenas com o propósito de ofender?
Algum dos foristas identificados por si, foi expulso do fórum?
O caro utilizador, de forma coerente, deu-se ao trabalho de confirmar as afirmações que ambos usam para se vitimizar?
Não quero que se sinta coagido ao que seja, mas como escolheu uma das partes, que não inclui a do injuriado, venho por este meio tentar perceber porque motivo participou no tópico. O senhor conhece-me ou, por algum motivo que desconheço, eu influí negativamente no seu percurso numismático?
mais uma vez saliento que não o estou a inquirir e só responde se quiser, mas julgo necessário o senhor clarificar o que disse, apenas porque poderá ser necessário prestar esclarecimentos adicionais para evitar situações conflituosas.

Cordiais cumprimentos. :thumbs:
"Quod erat demonstrandum"

PSIMOES
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por PSIMOES » quarta mar 11, 2020 12:12 pm

fernanrei Escreveu:
terça mar 10, 2020 12:20 pm
Mmatos Escreveu:
terça mar 10, 2020 1:27 am
numisiuris Escreveu:
segunda mar 09, 2020 2:25 am
...
Deve-se, numa sociedade de informação cada vez mais sofisticada, proteger a numismática alimentando o misticismo do desconhecimento?

Ou, de outro modo, deve-se promover a informação e desse modo proteger a numismática?

Por outro lado, devem as amostras numéricas ser divulgadas? Ou devem os estudiosos escondê-las do leitor? Assim se protegendo a numismática?

Gostava de ouvir as opinioes dos foristas sobre este tema. Porque se a divulgaçao das amostras se revelar danosa para a numismática, terei que repensar o rumo de alguns estudos de cunhagem manual que tenho em curso. Não quero pensar pela minha cabeça apenas. Quero saber o que os demais foristas acham.
A prova maior que a "informação" (sendo "informação", neste caso, o conhecimento sobre a maior ou menor escassez de um determinado espécime numismático) afecta este nosso mundo das moedas, está no que se passa com as moedas da República. Muitos se lembram os preços astronómicos que algumas moedas ostentavam e a que eram transaccionadas há cerca de 25 anos +-. Hoje em dia, muitos desses exemplares aparecem a menos de um terço ou mesmo um quarto do valor que tinham nessa altura. Porquê esta descida de valor? A NET com o acesso que todos têm à mesma, veio mostrar que moedas que eram consideradas escassas, existiam em quantidades muito superiores às que antes se percepcionava, quando esse conhecimento era partilhado apenas por meia-dúzia de comerciantes. Mas este conhecimento generalizado afectou, não a numismática, mas sim o comércio de moedas (e respectivo lucro associado), que muitos confundem com numismática. Acho que o busílis da questão está neste ponto - a confusão entre comércio de moedas e numismática. A numismática é a ciência que estuda as moedas e a história a elas ligada. O comércio de moedas serve-se do interesse que os coleccionadores (alguns deles numismatas) têm pelas moedas para lucrar o máximo que podem, muitas vezes não olhando a meios para atingir os fins - veja-se o caso das chamadas moedas restauradas, que muitas vezes não passam de autênticas invenções que nada têm a ver com o estilo original da moeda. O choque está aqui - a muitos comerciantes a existência de conhecimento e divulgação numismática, tornando as pessoas mais cultas, mais atentas e não tão fáceis de enganar, impede-os de vender gato por lebre, coisa que antes era muito mais fácil. Não quero dizer com isto que todos os comerciantes são assim, felizmente existem algumas honrosas excepções... só que como todas as excepções, são em número menor dos que não são excepção.
Caro ilustre, concordo na integra com o que diz, mas se acrescentar o poder de compra e as técnicas mais agressivas de venda, fica uma apresentação perfeita. Sem dúvida alguma que há vendedores que se fazem passar por numismatas, alguns deles, nem sequer assumem que o são. Em relação aos vendedores assumidos, também sabemos que há de tudo, incluindo os que têm mais ou menos amigos, os que são adeptos de Stuart Mill e os que seguem a ideologia ética de Kant, os narcisistas e os modestos, os lícitos e os ilícitos e depois há os que acertam em tudo o que é bom, ou pelo menos dão a entender que sim! :think:, mas lá está, não é fácil agradar a gregos e a troianos. Deixando a questão das vendas para outras andanças, vamos ao que o tópico inquire; sem dúvida alguma que é importante partilhar toda a informação existente sobre o mundo das moedas, uma vez que a divulgação, fator determinante para a sustentabilidade da paixão, acrescenta valor e credibilidade ao meio. Só há um problema associado à partilha de informação, a questão da qualidade da mesma. Quem é que determina o que é bom e o que é mau? Pessoalmente, considero demasiado redutor esquecer os objetos de estudo e olhar apenas para alguns dados já sintetizados. Até pode ser muito positivo, mas quais são as garantias que aludem a um trabalho imparcial, rigoroso e fiel à verdade dos factos? Quando alguém olha para trás e não respeita os ancestrais, aqueles que abriram as primeiras portas e deixaram a massa para se fazerem os trabalhos, é no mínimo ingrato e deixa no ar demasiadas questões. Em relação aos trabalhos conhecidos do autor do tópico, só posso dizer que os deve continuar a partilhar, uma vez que os já conhecidos têm qualidade e o método de análise utilizado é muito assertivo.

Cumprimentos a todos. :thumbs:
Está tudo dito. :claps: :claps: :claps:
Pedro Simões

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tm1950
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por tm1950 » quarta mar 11, 2020 6:17 pm

Sou totalmente favorável à partilha de toda a informação. Informação que deve ser rigorosa, clara, objectiva e sintetizada.
Conhecer o número exacto de exemplares existentes de cada peça é impossível, salvo em raríssimos casos. Ter um conhecimento deste número o mais aproximado possível é bom, porque pode influenciar os fazedores de catálogos e o mercado. Para além do número de exemplares existentes de cada peça, tendencialmente a diminuir devido aos acidentes, existe outro conceito que considero importante: o de exemplares disponíveis, que são os exemplares que estão disponíveis no mercado em cada momento. São estes exemplares disponíveis que fazem o preço em cada momento. Preço este influenciado pelos catálogos e pelos valores que vão sendo feitos pelo mercado.
O mercado comporta-se de forma natural reagindo à oferta e à procura, que por sua vez depende da disponibilidade financeira dos intervenientes no mercado: os colecionadores e os comerciantes. Com o mercado em baixa, o número de exemplares que aparece à venda é maior, forçando o preço a baixar. Ao contrário, se o mercado aquecer o número de exemplares disponíveis diminui e o preço sobe. Salvo em peças muito especiais e raras, ninguém consegue ser dono do mercado, a ponto de o poder influenciar de forma significativa.
A “Base de Dados” que temos na notafilia poderá dar-nos uma visão cada vez mais realista das existências, se for continuada.
Já que falei em mercado, e após algumas décadas dedicado ao colecionismo, quase desde que me conheço, quero deixar uma mensagem aos colecionadores: sejam comerciantes. Comprem também para vender, tanto mais quanto melhor conhecerem o mercado. É fácil, exige alguma dedicação, alguma disponibilidade financeira, mas poderá ser um bom auxiliar para a vossa colecção.
A actual forma de fazer comércio facilita esta tarefa. Comprem hoje e vendam “ontem”. Recuperem rapidamente o investimento para voltar a comprar e vender.

PS.
Para dar uma ideia da força do mercado, apresento uma listagem dos valores atingidos (com comissões) no leilão da Numisma, realizado em Fevereiro de 2008, pouco antes da crise:
1 Escudo 1910 – 308 euros
1 Escudo 1915 – 123
1 Escudo 1916 – 112
1 Escudo 1924 – 112
1 Escudo 1927 – 224
1 Escudo 1928 – 222
1 Escudo 1929 – 987
1 Escudo 1940 – 456
1 Escudo 1945 – 135
1 Escudo 1946 – 111
1 Escudo 1952 – 174
50 Centavos 1927 – 213
50 Centavos 1928 – 247
50 Centavos 1929 – 280
50 Centavos 1940 - 234
10 Escudos 1932 – 87
10 Escudos 1934 – 283
10 Escudos 1940 – 95
2$50 1932 – 185
2$50 1948 – 168

Moedas um pouco mais difíceis:
5 Centavos 1922 – 841
10 Centavos 1930 – 617
10 Centavos 1969 – 1.491
20 Centavos 1921 mn – 2.578
20 Centavos 1922 – 3.363
50 Centavos 1935 – 1.345
50 Centavos 1938 – 1.794
1 Escudo 1926 – 897
1 Escudo 1930 – 2.466
1 Escudo 1931 – 2.578
1 Escudo 1939 – 2.690
1 Escudo 1944 – 1.682
2$50 1937 – 1.401
5$00 1932 – 841
5$00 1937 – 841
10$00 1933 – 1738
10$00 1937 – 1569
10$00 1942 - 1009

Moedas de outro campeonato:
50 Centavos 1925 – 25.783
1 Escudo 1935 – 15.134
Celso.
Saúde e Fraternidade.
Os meus leilões

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carlos47
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por carlos47 » quarta mar 11, 2020 7:13 pm

Senhor Fernanrei não conte comigo para prolongar esta cenas constrangedoras
Também não conte comigo para citar aquela frase que li em qualquer lado,"eu não gosto de si", longe disso, aprecio toda a gente, claro uns mais que outros
Quanto ao influenciar meu percurso numismatico nenhum risco,não me considero um numismata,diria antes um coleccionador criterioso, muito orgulhoso daquilo que vou conseguindo adquirir
Mas influencia meu humor (aqui não leve demasiado a peito) irrita-me o facto de sistematicamente citar as publicações do Silvio e não só, não acrecentando nada de interessante
Tentei ser o mais diplomata possivel tendo em conta as limitações do meu carácter talvez demasiado directo

Pedro Leg
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por Pedro Leg » quarta mar 11, 2020 11:03 pm

Eu pessoalmente faço questão de agradecer ao Silvio a iniciativa que tem de publicar um trabalho, que para mim, tem um interesse de relevo. O Silvio suponho que não recebe salario pelas horas que passa a procurar ; acho que um agradecimento da parte de quem beneficia gratuitamente com o seu trabalho, não seja demais. Se uma pessoa não sente um certo reconhecimento pelo esforço que faz...
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numisiuris
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por numisiuris » quinta mar 12, 2020 7:15 am

fernanrei Escreveu:
terça mar 10, 2020 12:20 pm
Sem dúvida alguma que há vendedores que se fazem passar por numismatas, alguns deles, nem sequer assumem que o são. Em relação aos vendedores assumidos, também sabemos que há de tudo, incluindo os que têm mais ou menos amigos, os que são adeptos de Stuart Mill e os que seguem a ideologia ética de Kant, os narcisistas e os modestos, os lícitos e os ilícitos e depois há os que acertam em tudo o que é bom, ou pelo menos dão a entender que sim! :think:, mas lá está, não é fácil agradar a gregos e a troianos. Deixando a questão das vendas para outras andanças, vamos ao que o tópico inquire
Caro moderador Fernando Rei:

Não devia alinhar nisto e é a última vez que o faço. Mas há coisas que precisam de ser esclarecidas de modo definitivo...

O moderador Fernando Rei vem a um tópico, sobre um assunto, falar de outros assuntos. Assuntos nos quais pretende melindrar-me. Tudo estaria bem se não fosse o moderador Fernando Rei um apregoado exemplo comportamental de civismo, dignidade, honra e carácter. Se não fosse o moderador Fernando Rei uma pessoa elevada, como sabemos que é. Culta. Informada. Avançada até. O que não consigo para já compatibilizar com o vazio atear de fogueiras a que progressivamente se entrega, para mais investido em tão digna função, como é a de moderador do fórum de numismática.

Que fique claro que quando o moderador Fernando Rei diz que há vendedores que se fazem passar por numismatas, se refere a mim. Que quando diz que há vendedores que não assumem que o são, se refere a mim.

Meus caros, eu vendo moedas! :xmas:

Vou repetir... :dance:

Eu vendo moedas...! :santa:

Desfaça-se já o enigma... :santa2;

De há algum tempo a esta parte que penso em mudar a minha vida para lidar com moedas a tempo inteiro. Nada é deliberado nem planeado, sobretudo para mim e sobretudo nestes útimos 5 anos da minha vida, em que paulatinamente se me abriram e fecharam horizontes, sem que eu sequer desse por isso as mais das vezes. Primeiro começam-se a fazer estudos. Lêm-se livros suficientes para fazer um curso universitário. Descobrem-se coisas que muita gente presentemente teima em desvalorizar e descredibilizar, mas com que ninguém sequer sonhava há poucos anos atrás. Abrem-se portas. Criam-se caminhos novos. Esbarra-se no preconceito ou na ignorância. Na inveja. Na mediocridade. Vezes demais... Deveríamos já saber que sempre será assim a vida com quem ousa fazer algo diferente. Passamos por cima disso e pensamos em alternativas. Podemos sempre vender-nos a uma qualquer faculdade. Fazer uma candidatura para investigar. Pedir o impresso para o fundo comunitário. Fazer os créditos para progredir. Essas coisas do charme.

Não quero (ponto)

Não vou por aí (ponto)

Prefiro ser marginal do que alinhado (ponto)

Não preciso de ser alinhado (ponto)

Não vou ser alinhado (ponto)

O que vem do alinhamento é sempre mais do mesmo (ponto)

Alinhada estava toda a gente antes de eu ter posto o conhecimento a andar para a frente e o alinhamento dava no que dava. Na quase absoluta estagnação...

Depois... lá bem depois e apenas para contextualizar, havia gente cheia de ideias... Gente que fazia e que acontecia e que estudava. Mas que pouco ou nada publicava e, quando publicava, eram assim coisas todas vistosas da forma e com conteúdo nulo e novidades reais praticamente inexistentes. No dia em que eu consegui arranjar modo de fazer análises xrf a moedas, deveria ter percebido logo como seria o futuro. O meu parceiro de estudos da época ficou até consternado. Na altura fiquei triste e surpreso com isso. Contava naturalmente com uma reacção de entusiasmo. Era muito tenrinho, eu. Tenrinho ao ponto de querer disponibilizar aquilo que me tinham disponibilizado a toda a gente. De querer que se fizessem estudos. De os estimular. Recordo-me até de ter incentivado o moderador Fernando Rei a que fizesse ele também um estudo. Sobre os conhecimentos que sempre apregoou ter acerca de química e moedas. Na altura respondeu-me que ia reflectir no assunto, visto que nunca se propunha fazer um trabalho que não soubesse que iria terminar. Era legítimo, pensei...

A verdade é que eu andava meio maluco naquela época. Quando se anda meio maluco é tudo muito melhor. Parecem "arranques". De repente passa-se a dormir muito pouco e a andar contantemente agitado. A cabeça cheia de ideias. Tudo se cruza em mosaicos mentais. Adormece-se num pequeno recanto de uma cama. Há livros abertos e fechados às dezenas, espalhados no colchão. Quando acordamos, metade está no chão. Acendemos um cigarro e começamos a ler. Parece que nas três horas de sono que dormiramos não deixáramos de pensar num objecto de estudo. É já mais que uma paixão nessa fase. É uma obsessão. A cabeça deixa de querer saber de outras coisas. Tudo se dilui. Estamos no supermercado a pagar as compras. Olhamos para os trocos e vemos fracções. Sentimos o peso a uma moeda e daí temos uma ideia. Vivemos ideias a tempo inteiro. Qualquer coisa serve para ter uma ideia. Estamos horas na internet. Pesquisamos em todas as línguas e em todos os sítios. Vamos a bibliotecas buscar livros que faltam. Compramos alguns que não existem sequer em Portugal. Vamos tendo o apoio declarado de dois ou três carolos. Quando há novidades todos vêm bater palmas para parecer bem. Mas lentamente percebemos onde estavam os marcos no terreno. As pessoas são um poço de contradições. Todas. Custa-lhes sempre, por mais que não o saibam, que alguém esteja a fazer alguma coisa. Quem raio vai ele ser depois disto? Quem raio pensa ele que é? Faríamos todos as mesmas coisas se fossemos todos as mesmas pessoas. Resta-nos sempre uma certa moral quando não conseguimos aguentar o que nos separa. Agarramo-nos a ela tanto como ao poder. E quando olhamos ao espelho somos farrapos do que julgáramos ser. Todos, se eventualmente não pararmos para reflectir.

Feito farrapo, lentamente deixo de querer pensar em direito. Recebo um caso e não tenho pachorra nenhuma para aquilo. Antigamente era capaz de ficar horas siderado a encher o cinzeiro de beatas e a pesquisar jurisprudência noite dentro. Mas sumiu isso. Foi substituído por uma coisa que era minha desde pequeno. Que não era um simples jogo de cartas. Giro. Leve. Mas poesia pura. Daquela que nos faz esquecer de tudo o resto. Que raio iria eu fazer? Já sei. Vou montar uma leiloeira. E fácil seria fazê-la acontecer. Mas depois eram precisas moedas... E de quem são as moedas?... E as moedas vendem-se mesmo? E vendem-se para quê? Um sem número de questões que assustam só de nelas pensar...

Nos entremeios até tive uma namorada muito porreira. Que a dada altura me queria financiar a compra de moedas para eu investir. As mulheres são sempre assim. Apaixonam-se pelo poeta, para fazer dele o operário. Ainda fiz umas poucas negociatas na altura. As suficientes para que ela percebesse que eu me estava bem marimbando para ganhar dinheiro e que queria era entender a psique do Condestável até ao tutano. A verdade é que lhe devolvi todo o dinheiro que me emprestou. Só que o que ganhei, em moedas, foi directo para a colecção. Ela a dada altura desistiu de mim. Estava visto que eu era um caso perdido... As coisas foram mudando e foram-se diluindo. Os erros foram-se sucedendo. E eu percebia agora que leiloeiro nunca iria ser. Advogado já só se fosse de vez em quando, que para a malta dos papéis já dera o suficiente. E como raio ia eu vender moedas se não conseguisse separar-me de uma que não tivesse?

Ora, foi nesse momento que, pela primeira vez e sem saber bem como, consegui vender uma moeda que ainda não tinha na colecção. Foram os 500 reais de D. Sebastião, que vendi ao Sérgio aqui do fórum. Comprei-a por 485 euros, já com comissões. E lembro-me que me queria estrear nisso de vender moedas que não tenho lucrando alguma coisa de jeito. Pûs-lhe um preço. 650 euros. E o Sérgio, sabendo por quanto eu a tinha comprado, diz-me logo que por 600 ficava com ela. Mas xiça, era o Sérgio. O companheiro da ribeira e dos encontros. Um gajo muito porreiro. Fiz-lhe os 550 porque eu era um gajo tenrinho e ainda aceitei receber a 3 meses, estreando-me assim no vilipêndio da numismática com um lucro de quase 15%. Wow!!! Isto foi há meia dúzia de meses. Entretanto deixei de ser tenrinho e má pessoa. Se o Sérgio hoje quisesse a moeda, pagava os 600 que ofereceu. Aliás, se o Sérgio hoje quisesse a moeda, ia-a comprar a outro sítio, porque a crise está a avizinhar-se e o ouro vai subir.

Meus caros, o segredo de vender moedas reside única e exclusivamente no acto da compra. Vender bem depende apenas da capacidade financeira para aguentar o investimento. Se se comprou bem, está vendido e quase pelo preço que se quer. Se se comprou mal, é uma chatice. Para comprar bem, na minha opinião, são necessários conhecimentos do mercado e da ciência. Desculpem-me os "vendedores strictu-sensu". E desculpem-me aqueles que dizem que eu sou um vendedor não assumido que se faz passar por numismata. Mas a verdade é essa. Saber os preços de mercado e ver o que mais ninguém vê. É esse só e apenas o segredo para fazer dinheiro em moedas, conquanto se tenha capacidade financeira para aguentar os investimentos e conquanto se espere a oportunidade.

Isto é um vício para quem colecciona. Vamos lá falar disso. De coleccionar...

Há uns anos escrevi um texto num grupo do facebook sobre como foi o início para mim. Não me vou repetir. Mas como a maioria sabe, sou coleccionador de moedas. Sei o que aparece no mercado e o que não aparece. Sei o que é difícil de comprar e o que não é. Sei o que está sobre e sub valorizado nos catálogos. Tenho uma colecção bastante completa da monarquia portuguesa. Que já faço há décadas. Tenho as moedas à beira para estudo sempre que o pretenda. Posso comparar quase todos os tipos na hora e em mão. Essas coisas para as quais também serve uma colecção. A minha colecção de moedas vai continuando a progredir. Mas muito mais lentamente. Os tipos que me faltam, ou são todos muito caros ou muito raros. Poderia andar no melhoramento dos estados de conservação até à eternidade. Ou então passar a comprar duas moedas por ano. Mas isso só, não, desculpem lá. A partir deste estádio em que tenho a colecção e com o meu poder de compra, é chato até dizer chega. Não tem emoção nenhuma. Não ocupa o tempo. Não traz novidades constantes. Faz aprender muito pouco. Nem sequer cura a ressaca do vício... Eh pá, não... (ponto).

Para se comprarem e venderem moedas, têm que se varrer os sites de venda diariamente. Ora, para se estudarem moedas tem que se fazer exactamente o mesmo. Desculpem o espírito da paixão... Mas... Porque não juntar as duas coisas?

Portanto, para que fique esclarecido, decidi ganhar dinheiro com moedas. Desde os 500 reais que consigo vender coisas que não tenho na colecção. Tenho um Afonso Henriques lindo, que supera aos pontos o fragmento que tenho na colecção. Mas vou vendê-lo mal alguém me der bom dinheiro por ele. Já não me custa. Fotografei e pesei a moeda. Inseri-a numa base de dados. E daqui por uns anos ainda a uso num estudo sem ter que ser minha. Há uns tempos falava com o caro Vitor Almeida e dizia-lhe: "eu agora gosto é de fazer amostras e colecionar fotografias". E ele respondeu-me que "era esse o caminho". Se me custa vender o vintém RL de João III que ainda não tenho? Claro que custa. Se queria ter um cruzado de D. João IV de Lisboa, que vendi a semana passada por 700 euros? Claro que queria... Mas nunca ninguém tem tudo o que quer na vida. E eu já tenho muito. Só gostava de não ser chateado por gente que não fez nem fará pela numismática uma ínfima parte do que eu fiz e farei. E só gostava que ninguém tivesse nada que indagar acerca do que eu tenho ou deixo de ter.

No demais, mantenho uma série de convicções:

A-Não gosto de restauros nem de falsificações e estou empenhado em denunciar essas situações.

B-Gosto de saber o que as moedas significam, de as estudar e de descobrir coisas novas.

C-Quero continuar a produzir artigos científicos sobre numismática e estou certo que os anos trarão os meus artigos à tona.

D-Sou contra o mercado das certificações de cunhagem manual. Por dois motivos sobretudo. 1-Porque não existem especialistas de cunhagem manual portuguesa nas certificadoras instaladas. 2-Porque o coleccionismo por grade é um coleccionismo inculto que não gera conhecimento algum, nem possibilita por si o entendimento da história monetária ou do significado das moedas.

Não devia ter que vir aqui escrever estas coisas. Não devia sequer ter que assumir o que quer que fosse. Sou um cidadão livre. Estou numa fase de transição de vida (paulatina e gradual, há já quase 5 anos). E deveria ter direito a fazer o que bem entendesse, com toda a calma, ao meu ritmo e de acordo com as minhas ideias. Só que isso aleija os cotovelos de muita gente. E são só e apenas essas coisas que aqui tratamos. E foi só e apenas por estes motivos que um bando de idiotas decidiu andar a picar-me durante meses a fio. Desiluda-se quem cai na cantiga de pensar de modo diverso.

No demais, entendo tão bem isto... De onde vem. Porque vem. Os motivos do que vem. Já tive que ouvir os argumentos todos. "Que já tinha idade para ser pai"... "que sou mal educado"... "que os estudos estão todos mal"... As mais variadas coisas... Destituídas de conteúdo. Completamente descontextualizadas. Ataques pessoais bradados de orelha em orelha... Painéis de ignorantes a alardearem tudo o que entendem para aliviar as dores que sentem a meio dos braços. Coisas que, com boa educação, nunca deveriam acontecer.

Finalizando:

1-Há mais algum esclarecimento ou clarificação pública que expressa ou implicitamente deseje, caro moderador Fernando Rei? (é que eu só quero ultrapassar estas suas questões para ver se me ponho meio maluco outra vez, que meio maluco é que eu gosto de andar)

2-Dá licença que daqui por uns anos o número de estudos por si subscritos seja elevado ao quadrado ou ao cubo e que os meus, pura e simplesmente, apenas se somem?

3-Posso, no entretanto, ir comprando e vendendo algumas moedas, para com isso retirar lucro que aplique no que bem entender, caro moderador Fernando Rei?

4-Em caso de resposta afirmativa à pergunta anterior, dá-me licença que preserve a minha colecção de moedas separada do stock?

(não precisa de responder, que eu não lhe quero perguntar nada. Mas olhe, de cada vez que o vir despejar ignorância floreada para analfabeto dar como ciência, lá estarei para lhe dar com o martelo. Deixe as coisas pessoais e os ataques baixos. Sobretudo, deixe as falácias e as mentiras e as manipulações. Sugiro-lhe um de dois caminhos. Falar menos ou estudar mais.)

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fernanrei
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Re: Partilha de dados numéricos das amostras recolhidas em estudos de numismática

Mensagem por fernanrei » quinta mar 12, 2020 9:10 am

carlos47 Escreveu:
quarta mar 11, 2020 7:13 pm
Senhor Fernanrei não conte comigo para prolongar esta cenas constrangedoras
Também não conte comigo para citar aquela frase que li em qualquer lado,"eu não gosto de si", longe disso, aprecio toda a gente, claro uns mais que outros
Quanto ao influenciar meu percurso numismatico nenhum risco,não me considero um numismata,diria antes um coleccionador criterioso, muito orgulhoso daquilo que vou conseguindo adquirir
Mas influencia meu humor (aqui não leve demasiado a peito) irrita-me o facto de sistematicamente citar as publicações do Silvio e não só, não acrecentando nada de interessante
Tentei ser o mais diplomata possivel tendo em conta as limitações do meu carácter talvez demasiado directo
caríssimo Carlos47, agradeço a sua resposta. Vistas as coisas, o senhor parece-me ser uma pessoa educada e com valores. No entanto, apenas quero acrescentar que não fui eu que abri o tópico e apenas fiz uso do direito de resposta; uma vez que fui ofendido. De forma alguma quero alimentar polémicas e muito menos aquelas em que sou constantemente ofendido, por isso, apenas o citei porque fiquei com dúvidas nas suas intensões e nada como esclarecê-las para evitar que continuem. Em relação à sua outra preocupação, apesar de não lhe ter feito essa pergunta vou tê-la em consideração, dado que é uma manifestação de opinião legitima. Cumprimentos. :thumbs:
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