Homenagem ao Pataco

Moedas cunhadas desde D.Pedro P.Regente até D.Manuel II

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Alfonsvs
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Homenagem ao Pataco

Mensagem por Alfonsvs » sexta jan 17, 2020 11:39 pm

Homenagem ao Pataco 1 - 2 - 3

Tópicos apresentados em 2005, com belas moedas que já não se encontram na minha coleção. :(

Homenagem ao Pataco - 1
D. João Príncipe Regente


http://forum-numismatica.com/viewtopic.php?f=4&t=2570

No sentido de organizar uma bela galeria numismática composta por Patacos, apresento em abertura aquela que foi o ponto de partida para uma verdadeira moeda de emergência.

De momento só disponho de imagem com o pataco dentro de alvéolo
Imagem

Ensaio de 1811 em Bronze de cor clara e sem serrilha.
A imagem não foi alterada, a cor é mesmo esta. A moeda não está circulada.

Ref. E4.01
Peso: 40,6g
Diâmetro: 36mm
Espessura: 4,6mm

Desta data são conhecidas sete raras variantes com serrilha.

Este ensaio de 1811 apresenta o retrato emblemático de D. João, com a idade aproximada de 35 anos, da autoria de Domingos António de Sequeira e que foi exaustivamente utilizado em todas as moedas de ouro, das casas da Moeda de Lisboa e do Rio de Janeiro, até à morte do soberano.
Este autor, de grande influência junto da corte, era grande mestre de artes e desenhador de medalhas. Foi o professor de desenho e pintura de D. Carlota Joaquina (esposa do regente D. João VI) e de suas filhas mais velhas, D. Maria Thereza e D. Maria Isabel, assim como do futuro D. Pedro IV.
Do gosto ganho pelas belas-artes deve-se a D. Maria Isabel, quando rainha de Espanha pelo seu casamento com D. Fernando VII, a criação do Museu do Prado em Madrid, como inspiradora e dedicada promotora da criação desse estabelecimento.

Com as finanças arruinadas e a indústria agonizante os patacos foram chamados a desempenhar uma alta missão patriótica, verdadeiramente salvadora de tristes consequências.

1812
ImagemImagem

Ref. AG 10.02
Peso: 38,2g
Diâmetro: 35mm
Espessura: 4,8mm


Homenagem ao Pataco – 2
D. João VI


http://forum-numismatica.com/viewtopic.php?f=4&t=2590

Com a morte de D. Maria I em 20 de Março de 1816, no Rio de Janeiro, tomou o príncipe regente o título de rei, fazendo-se a sua aclamação apenas em 6 de Fevereiro de 1818

Nas moedas a partir de 1818 foi adoptado o novo escudo de armas, esfera armilar sob o escudo nacional, resultado do trabalho de abertura dos cunhos por Simão Francisco dos Santos e Cipriano da Silva Moreira, que apresentada a prova ao governo «que a todos pareceu perfeitíssima» foi aprovada por unanimidade em 9 de Setembro de 1819

Desde 1811 até ao final do reinado de D. João VI em 1826, foram utilizadas cerca de 645 toneladas de bronze, que produziram 718 contos de reis, quando a autorização primitiva era para 200 contos de reis somente!
O ano em que se cunharam mais patacos foi em 1824, chegando aos 3.050.806

Imagem
Imagem

Pataco 1821 com escudo oval (patine escura)

Refª AG 06.01
Peso: 32,7g
Diâmetro: 34mm
Espessura: 4 mm

……………...................................................….

Mensagem por MCarvalho » 26 jun 2007 14:20

Uma dúvida: Por que razão se cunharam patacos de escudo oval ( salvo erro em 1821 e 1823) se nesses mesmos anos se cunharam com o escudo "normal"?

Apesar de ser já dois anos, só agora vi a pergunta e só agora irei tentar responder... não sei se entretanto já alguém deu a resposta noutro tópico, mas aí vai.

Cap. I

Em 1816, D. Maria I falece no Rio de Janeiro, deixando definitivamente o trono e a coroa ao filho João. Este, após mais de 15 anos como regente, assume finalmente o título de D. João VI, mas não se fica por essa formalidade, empreende uma autêntica revolução institucional. A capital do O Reino de Portugal e dos Algarves passa a ser oficialmente o Rio de Janeiro, no Brasil, e funda-se um novo conceito de monarquia lusa, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, as novas armas do reino são as armas de Portugal sobre a esfera armilar, assim, tanto a bandeira (branca com a esfera e e escudo) como as moedas e todas as outras representações oficiais passam a incorporar a esfera armilar.

Cap. II

No dia 24 de Agosto de 1820 rebenta uma revolta liberal na cidade do Porto. Os liberais, vitoriosos, exigiram que o rei D. João VI regressasse a Portugal. E assim foi, em 1821 D. João desembarca em Lisboa, preparado para aceitar a nova situação política, o novo parlamento e a Constituição que se começava a elaborar.
Em 1822 o filho mais velho, Pedro, que permanecia no Brasil, declara a independência deste país, fundando o Império do Brasil e aclamando-se D. Pedro I, Imperador do Brasil.
Em Lisboa tudo tremeu, o conceito de Reino Unido estava perdido, e embora só em 1825 D. João VI tenha reconhecido definitivamente a independência do Brasil, os sinais de mudança começam a notar-se nestas coisas do dia a dia que são as moedas, a Esfera Armilar, emblema do Reino Unido, deixa de fazer sentido e desaparece esporadicamente entre 23 e 25, para desaparecer para sempre depois desse ano.

Conclusão

Para nós, Portugueses do séc. XXI, habituados a conviver desde sempre com a Esfera Armilar e o Escudo na bandeira, não questionamos estes significados de há quase 200 anos, mas em 1911, quando se debatia a nova bandeira nacional, a da República, houve vozes que criticaram a inclusão da esfera armilar precisamente porque representava uma realidade política de união com o Brasil que, nesse tempo, já não fazia sentido.

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Mensagem por doliveirarod » 29 jun 2007 23:06

definitivamente a independência do Brasil, os sinais de mudança começam a notar-se nestas coisas do dia a dia que são as moedas, a Esfera Armilar, embelema do Reino Unido, deixa de fazer sentido e desaparece esporadicamente entre 23 e 25, para desaparecer para sempre depois desse ano.

A esfera armilar permaneceu ainda nas armas portuguesas mesmo depois de 1822, porque uma das exigências de D. João para aceitar a independência do Brasil (fora uma boa indenização paga pelo império recém criado por D. Pedro I) foi a de manter, formalmente, o título de rei do "Portugal, Brasil e Algarves".

Aliás, foi uma pena a idéia do reino unido ter naufragado... Era muito boa, e apoiada nas melhores cabeças da época. O Rio seria a nova capital do império, pq o Brasil era rico, e estava bem distante da Espanha, e em segurança com relação as guerras européias (isso logo após o trauma de Napoleão). A mão de obra escrava negra seria trocada pela dos imigrantes brancos, para desenvolver a lavoura, povoamento e comércio. Daqui surgiria um novo império.

Mas infelizmente, D. João e os seus ministros não aprenderam a liçaõ da América espanhola, totalmente perdida, e preferiram simplesmente reduzir o Brasil novamente a uma colônia, o que provocou protestos e indignação com a volta do rei a Portugal, bem como com a volta do aparato administrativo e com o sequestro do ouro do Banco do Brasil. A separação não era necessária, o Brasil estava satisfeito com a situação, queria apenas representação nas cortes. MAs com a recolonização, a separação foi inevitável, o ministro José Bonifácio (tutor de Pedro I, Pedro IV de PT), totalmente a favor da criação de um novo império luso até então, articulou a independência, e aí tudo estava perdido.... Portugal perdeu o império americano para sempre, sua colônia mais rica, e também a condição de potência, entrando depois em guerra civil e se arruinando economicamente, e o Brasil permaneceu nos velhos moldes rurais arcaicos, com base na mão de obra negra e escrava.

O novo império esvaiu-se como areia... Ruim p/ todos. D. João VI era bom, o povo gostava dele, mas era "frouxo". Não era um rei para estar ali naquele momento histórico, não tinha percepção nem coragem.

Esses meus comentários têm base na obra do historiador pernambucano Oliveira Lima, um dos maiores pesquisadores sobre o período de D. João VI no Brasil...



Homenagem ao Pataco – 3
D. Pedro IV, 1826 a 1828


http://forum-numismatica.com/viewtopic.php?f=4&t=2626

Vários conflitos abalaram a sociedade portuguesa de então e o próprio regime monárquico.
Nesta altura o país atravessava uma grande confusão política: a revolução liberal no Porto em 1820, a «Vila-Francada» e a «Abrilada» em 1823, ambas dirigidas pelo infante D. Miguel, que atrasaram a entrada do país na era industrial.
O Brasil decidiu proclamar em 1822 a sua independência, provocando um rude golpe na economia e no império colonial português.
Com a crise política de mãos dadas com a crise económica, o Pataco era a moeda de recurso para tentar melhorar as finanças, com mais de 4 milhões de moedas cunhadas em dois anos e com pouco investimento.

ImagemImagem

Refª AG 02.01
Peso: 34,3g
Diâmetro: 35mm
Espessura: 4mm


José Matos

Alfonsvs
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Re: Homenagem ao Pataco

Mensagem por Alfonsvs » domingo fev 02, 2020 2:29 am

Em actualização.
Já recuperei várias imagens até agora perdidas, que vão ilustrar melhor esta repescagem. :)
José Matos

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silvio2
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Re: Homenagem ao Pataco

Mensagem por silvio2 » domingo fev 02, 2020 9:48 am

Caro amigo José Matos, aplaudo a sua iniciativa de recuperar estes interessantes Tópicos e de recolocar as belas imagens que faltavam (pois só assim "faz todo o sentido") :clap3:
Obrigado, pela disponibilidade e partilha. :thumbupleft:
Cumprimentos,
Sílvio Silva

alpinojuan
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Re: Homenagem ao Pataco

Mensagem por alpinojuan » domingo fev 02, 2020 11:34 am

silvio2 Escreveu:
domingo fev 02, 2020 9:48 am
Caro amigo José Matos, aplaudo a sua iniciativa de recuperar estes interessantes Tópicos e de recolocar as belas imagens que faltavam (pois só assim "faz todo o sentido") :clap3:
Obrigado, pela disponibilidade e partilha. :thumbupleft:
O caro amigo Sílvio disse tudo.
Partilho a mesma opinião.
Obrigado pela disponibilidade e partilha.

Cordialmente
Juan Santos

Pedro Leg
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Re: Homenagem ao Pataco

Mensagem por Pedro Leg » domingo fev 02, 2020 1:55 pm

Um excelente trabalho ; obrigado ;)
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