80 réis 1816 - Furo de escravo ?

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fernanrei
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Re: 80 réis 1816 - Furo de escravo ?

Mensagem por fernanrei » segunda dez 30, 2019 11:02 am

Mmatos Escreveu:
domingo dez 29, 2019 3:09 pm
doliveirarod Escreveu:
quinta out 04, 2018 10:56 pm
Tenho ressalvas quanto a essa história de escravos, pois a maioria deles não via cor de dinheiro, por motivos óbvios...
...
Estive a ler nos últimos dias uma obra de um investigador brasileiro sobre a deslocação da corte portuguesa para o Brasil no início do séc. XIX, a obra é muito cativante e descreve o dia-a-dia, não só da corte, como da vida de todos os contemporâneos desse período, incluindo, claro, os escravos. Lembrei-me deste post onde se alvitra se o furo apresentado na moeda seria um furo de escravo. Pela descrição abaixo, se vê que os escravos lidavam com dinheiro, pelos menos nas cidades, e que seria natural que para guardarem essas moedas as furassem para poderem ser enfiadas num fio e guardadas junto ao corpo.

"Outra forma de escravidão que se desenvolveu, paralela ao trabalho de aluguel,
foi o sistema de ganho. Eram aqueles escravos que, após fazer o trabalho na casa de
seus donos regulares, iam para as ruas em busca de atividade suplementar. Vendiam seu
trabalho de forma avulsa, a diversos clientes
, oferecendo serviços que poderiam durar
um dia ou mesmo algumas horas. Era um sistema tão popular que existiam até casas de
comércio especializadas no aluguel de escravos. Os escravos de ganho faziam de tudo:
iam às compras, buscavam água, removiam o lixo, levavam e traziam recados e serviam
de acompanhantes para as mulheres quando iam à igreja. O inglês John Luccock conta
que eram usados até para rezar ave-maria, em frente aos oratórios espalhados pela
cidade, na intenção de seus senhores.
No final do dia, os escravos de ganho repassavam parte do dinheiro aos seus
donos. A quantia era previamente estabelecida. O escravo que a ultrapassasse podia
ficar com a diferença.
Quem não alcançasse a meta, era punido. “Essa forma de
trabalho era conveniente tanto para o proprietário quanto para o escravo”, escreveu a
historiadora Leila Mezan Algranti, uma autoridade no assunto. “O senhor não se
preocupava com a ocupação de seus empregados, nem com seu controle. Os negros, por
sua vez, viviam soltos pelas ruas gozando de uma liberdade jamais sonhada por seus
semelhantes do campo.” Segundo ela, o sistema era rentável, pois havia “senhores” que
viviam apenas do trabalho de um ou dois “negros de ganho”. Ao mesmo tempo, havia
escravos que, no sistema de ganho, não só conseguiam pagar a quantia combinada com
seus senhores, como acabavam acumulando dinheiro suficiente para comprar sua
liberdade.
"
in 1808 - Como uma rainha louca um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil de Laurentino Gomes
Amigo Mário, é uma teoria válida. Pelos dados apresentados no texto que partilha, o manuseamento de divisa poderia impulsionar determinados comportamentos da parte dos escravos, que podiam muito bem incluir a abertura de furos nas moedas para as guardarem. Mas pessoalmente, vou mais para a teoria dos amuletos. :thumbupleft:


:D FMMRei :D

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