
-Argenteus
-Prata
-Reverso: VICTORIA AVGG - Os tetrarcas Diocleciano, Maximiano, Constancio e Galerio fazem sacrifício em frente a uma fortaleza com 4 baluartes. Casa: *SIS - Siscia
-Verso: Busto laureado do Imperador Diocleciano, e a legenda "DIOCLETIANVS AVG".
O Imperador Diocleciano foi um grande reformador, e é lembrado como uma das grandes lideranças que o império romano teve. Ele foi o responsável por uma extensa reforma monetária, administrativa e fiscal, que visava fortalecer um sistema que há tempos andava decandente. Com seu Édito de 301, ele tentou estabelecer preços máximos a serem pagos pelos produtos em Roma, assim, tudo passava a ser tabelado, como os gêneros alimentícios, por exemplo. Era uma tentativa de dar freio a uma inflação galopante, que corroia cada vez mais a moeda e as finanças romanas. Evidentemente não deu certo, o tabelamento gerou o "câmbio negro" e o "ágio", que eram largamente utilizados pelo mercado, apesar da aplicação de duras penas aos infratores, estabelecidas no Édito(Curiosamente, algo assim foi feito no Brasil, em 1986, o "plano Cruzado", tabelamento de preços e criação de nova moeda... Fracassou dessa mesma maneira! O mercado comprovou que não pode ser regulado artificialmente, se o presidente à época tivesse estudado um pouco a história... :lol: )
A reforma atingiu o decadente sistema monetário romano, com a criação de novas unidades monetárias, que iriam substituir as de um sistema já podre. Entre os anos de 286 e 294, o peso do áureo (a moeda de ouro romana) foi fixado em 5,4 gramas.
Surgiu uma nova moeda de prata de boa liga, o Denarius Argenteus, assim denominada para indicar bem a sua composição, e era mais conhecida pelo nome de Argenteus apenas. Essa peça tinha o peso (cerca de 3,40 gramas) e a liga (0,800 aprox.) semelhantes aos denários do tempo de Nero. Valia o equivalente a 5 novos Follis de bolhão (dos que tinham apenas a cobertura de prata), ou 1/24 do áureo. Com o passar do tempo, o argenteo também vai perdendo a liga, em 301 (ano do desesperado Édito) poucos anos depois de sua criação, já estava bastante desvalorizado, até que com Constantino vai se tornar uma moeda de bolhão baixo, vindo a desaparecer de vez com Juliano.
A reforma de Diocleciano criou uma moeda maior que o antigo e desvalorizado antoniniano então vigente, também prateada, o Follis (como a maioria dos autores a denominam, como o RIC), que não tinha mais a velha característica da coroa radiada, mas sim da cabeça laureada.
O follis também foi, ao longo do tempo, perdendo seu peso, até que com Constantino surge o follis reduzido, que será extinto pouco tempo após.

(Follis de Diocleciano, pouco mais de 10 gramas, com prateado visível)
Acima, um exemplar de Follis. Nesse exemplar, podemos ver ainda o prateado de 5% que essas peças levavam.
O velho antoniniano de bolhão baixo (prata a 5%) foi definitivamente extinto. Criado no governo de Caracalla, ainda no tempo da dinastia dos Severus, valia dois denários, e era cunhado a princípio num teor de prata razoável (cerca de 0,500 ou pouco mais), sendo sua característica principal a coroa radiada, sempre presente na cabeça dos imperadores (e a meia lua embaixo do busto, no caso das imperatrizes). A moeda chegou aos tempos de Diocleciano com apenas um "banho prateado", depois de ter sido "restaurada" no reinado de Aureliano, quando era já mero cobre.
Abaixo um dos últimos antoninianos prateados, cunhados sob Diocleciano. Nesse exemplar vemos também vestígios do referido metal precioso:

Surgem, acompanhando o fim do antoniniano, os "pseudo-radiados", ou radiados pós-reforma, como os chamam os autores. Essas moedas, embora mantivessem a coroa radiada, característica que tão bem distinguia os velhos antonininaos prateados, não tinham nenhuma permilagem do metal precioso. Eram os pseudo-radiados cunhados em puro cobre, uma moeda pobre, portanto.
Abaixo, a imagem de um "pseudo-radiado", já cunhado em cobre e sem nenhuma prata:

(imagem do site Wildwindcoins)
Não se sabe ao certo o valor que esse cobre teria, mas segundo alguns estudiosos, ele valeria um velho antoniniano.
Abaixo, a foto de um Aureus de Diocleciano, que então reformado, passou a ter 5,4 gramas de bom ouro:

(imagem do site wildwindcoins)
Aqui uma pequena tabela com a reforma feita por Diocleciano, e o que seria a equivalência entre as moedas desse novo sistema:
Denominação - Metal - Valor
Aureus - Ouro - Valia o peso do metal de acordo sua flutuação de mercado
Argenteus - Prata (0,800) - 1/24 Aureus, ou 5 follis
Follis - Cobre prateado (5% de prata) - 1/5 Argenteus, 10 velhos antoninianos prateados
Radiado - Cobre puro - Possívelmente 1 velho Antoniniano prateado
