Tem toda a razão, Carlos.
Não se trata de um ensaio, provavelmente será até particular.
O AG tende a misturar produções particulares com ensaios oficiais ou encomendas de ensaios oficiais. A outra tem a efígie de Francisco José (Franz Joseph), o kaiser austríaco.
Será uma produção particular, ainda que de grande qualidade,
Provavelmente é da altura da passagem de 1888 de D. Pedro II por Portugal, onde deveria ter sido recebido pelo sobrinho, D. Luís. Tal nunca aconteceu, tanto o imperador do Brasil como o rei de Portugal estavam doentes e afastados de actos oficiais. Ironicamente, no ano seguinte, D. Pedro II regressou a Lisboa para fazer a homenagem fúnebre de D. Luís. Foi nesse contexto que soube da proclamação da República no Brasil e que acabara de ser deposto. Como imperador deposto, foi aconselhado a recatar-se no Porto, longe da capital. Não pôde comparecer na coroação de D. Carlos, o seu sobrinho-neto.
Porque é que não é um ensaio e não será oficial?
Os retratos apresentados são cópias dos retratos das emissões oficiais. De Francisco Augusto de Campos, no caso de D. Luís I, e de Christian Lüster, no caso de D. Pedro II. Se repararmos, as iniciais F.A.C. não aparecem sob a efígie de D. Luís, nem o nome Lüster, sob D. Pedro II (aliás, Lüster, o dinamarquês que trabalhou na Casa da Moeda do Rio morrera em 1871, quase 20 anos antes).
Na época não havia grande regulamentação em relação a cópias de artistas, era comum, tanto na pintura, como na ilustração em geral, fazerem-se reproduções independentes. O próprio retrato de D. Luís de Francisco Augusto de Campos foi muito usado, sem assinatura, em medalhas comerciais, como as das exposições agrícolas e industriais da época.
Quanto à proveniência, não tenho dados. O Fabiano refere produção europeia fora de Portugal, é possível, dado que é realmente uma peça de muita qualidade. Em todo o caso, imagino que o mercado dela deveria ser Portugal, ou para comércio, ou para oferta a dignitários que acompanharam a visita. Tendo em conta o contexto da visita de 1888, em que D. Pedro II adoeceu e teve que ser tratado na Alemanha e D. Luís praticamente já não saía do quarto, a medalha não deve ter sido distribuída/comercializada muito tempo.
Bem descrito, Mário.
Eram
ensaios particulares, um determinado gravador (como disse, não lembro agora se belga ou alemão, esqueci o nome dele) cunhou em sua empresa essa peça. Nesse caso, o objetivo era para demonstrar seu trabalho para possíveis contratações. Na verdade existe uma série dessas "medalhas", combinando vários bustos de soberanos, na maioria europeus. Essa combinou D. Pedro com D. Luis, já vi D. Pedro combinado com a rainha Vitória e outros imperadores, sempre em bronze, essa em prata acredito ser rara.
- Não seriam fichas, pois não tinham poder de troca.
- Não seriam ensaios, ao menos não "stricto sensu", pois não eram oficiais, eram de empresa particular.
- Medalhas? Não comemoram ou celebram nada, apenas fazem propaganda.
Eu os colocaria em ensaio, mas não oficial, são ensaios particulares. A rigor, não deveriam constar no catálogo oficial.