Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

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Pedro Matos
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Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#1 Mensagem por Pedro Matos » sábado mai 07, 2022 7:48 am

Imagem

Reis da Arménia
Tigranes II 'o Grande'
Tetrachalkon
Cunhagem de Tigranocerta
Circa 80-68 d.C.
Obverso - busto drapeado de Tigranes II à direita, usando tiara de cinco pontas decorada com uma estrela entre duas águias e amarrada com diadema.
Reverso - Deusa Tique de Tigranocerta sentada à direita na rocha, a segurar um ramo de palmeira na mão direita; abaixo, o deus do rio Araxes a nadar à direita; legenda [BAΣIΛEΩΣ] - BAΣIΛEΩN / TIΓPANOY
18 mm, 5,21 g
Kovacs 77.


Pedro Matos

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Luis Cozeto
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Re: Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#2 Mensagem por Luis Cozeto » sábado mai 07, 2022 8:29 am

Caro Pedro Matos , um bom exemplar de moeda bem conservada e com uma interessante pátina . :thumbupleft:

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silvio2
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Re: Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#3 Mensagem por silvio2 » sábado mai 07, 2022 8:30 am

Interessante exemplar, com um visual muito apelativo e num excelente EC. Parabéns! :clap3: :thumbupleft:

P.S. - A propósito de Tigranes II e como complemento, eis o que encontrei na NET e que acho interessante partilhar: Tigranes the Great . ;)
Cumprimentos,
Sílvio Silva

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fernanrei
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Re: Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#4 Mensagem por fernanrei » sábado mai 07, 2022 10:10 am

Gosto especialmente da patina, que está muito charmosa... :thumbs:
"Quod erat demonstrandum"

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Pedro Matos
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Re: Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#5 Mensagem por Pedro Matos » quinta mai 12, 2022 9:36 pm

Tigranes II da Arménia ou Tigranes o Grande, era membro da casa real dos Artaxíadas, foi rei da Arménia durante os anos de 95 a.C – 55 a.C.

Viveu entre 140 e 55 a.C. e foi um dos maiores reis da Armênia, tornando-a numa potência do antigo Médio Oriente, e o reino mais poderoso ao leste da republica romana.

Ampliou o território arménio, permitindo-lhe reivindicar o titulo de Grande Rei, até então usado pelos reis e imperadores persas, envolveu a Arménia em guerras contra os Partos, com os Selêucidas e com a República Romana.

Filho do rei Artavasdes I, Tigranes foi feito refém aos 40 anos pelo Rei Mitrídates II da Pártia que derrotou os arménios em 105 a.C., embora outros dizem ser entre 112-111 a.C. Após a morte do Rei Tigranes I, seu tio, em 95 a.C., Tigranes comprou a sua liberdade, entregando setenta vales na região de Atropatene aos partos.

Tigranes tinha a ideia que iria construir seu império, o legado territorial e nacional do fundador da dinastia dos Artaxíadas, Artaxias I, e os reis subsequentes. As montanhas da Arménia, no entanto, formavam fronteiras naturais entre as diferentes regiões do país e, como resultado, os nakharars acabaram criando estados feudais semi-independentes dentro do reino. Isso não se adequava à política de Tigranes, que queria criar um império centralista. Ele consolidou o seu poder dentro da Arménia antes de embarcar em qualquer campanha expansionista. Ele depôs Artanes, o último rei arménio de Sofene e um descendente de Zariadres, antigo sátrapa arménio a serviço dos Selêucidas e que se tornara independente. Assim os dois Estados arménios unificavam-se.

Em 94 a.C. Tigranes II casou-se com Cléopatra do Ponto, filha do rei do Ponto Mitrídates VI Eupátor. Na ocasião Tigranes tinha cerca de 47 anos e ela 16. juntos tiveram três filhos homens e uma filha, que se casou com o rei Pácoro I da Pártia. Essa aliança permitiu a Mitrídates VI invadir a Capadócia em 93 a.C. obrigando o rei Ariobarzanes a fugir para Roma para pedir ajuda. O seu apelo surtiu efeito: o grande general romano Lúcio Cornélio Sila veio para a Ásia Menor, reintegrando Ariobarzanes ao seu trono e obrigando o exército arménio a recuar para a margem leste do rio Eufrates. Os aliados do Oriente não se intimidaram por causa dessa intervenção. A guerra civil que eclodiu em Roma em 90 a.C. deu-lhes a oportunidade de recuperar a sua vantagem no campo de batalha, e mais uma vez foi Ariobarzanes posto em fuga. Entre 89-85 a.C. eclodiu a Primeira Guerra Mitridática que opôs o Reino do Ponto à República Romana. Tigranes apoiou o seu sogro Mitridates VI, mas não participou diretamente na guerra. Enquanto Mitrídates iria conquistar as terras romanas na Ásia Menor e na Europa. Mitrídates fez um ataque geral aos romanos e italianos na Ásia Menor. Cerca de 80.000 pessoas foram mortas na província da Ásia Menor - o evento ficou conhecido como as Vésperas Asiáticas. As duas tentativas dos reis aliados para controlar a Capadócia e, em seguida, os massacres, resultaram na intervenção romana. O Senado envia novamente o cônsul Sila para combater Mitrídates e enquanto este enfrenta os romanos, Tigranes II trata de ampliar seu poder e domínio no Oriente.

Após a morte do rei Mitrídates II de Pártia em 88 a.C, Tigranes aproveitou o facto de que o Império Parto havia sido enfraquecido por invasões citas e lutas internas. Devastou o reino dos partos, ao redor da antiga Nínive e de Arbela. Submeteu a sua autoridade à Média Atropatene e acrescentou Osroene (Edessa), Nisibis , Gordiene, Adiabene e os gorienos aos seus domínios, pela força das armas.
Obteve a posse igualmente de parte da Mesopotâmia e, depois de atravessar o rio Eufrates, da Síria e Fenícia, segundo Estrabão. Em 83 a.C., depois de uma sangrenta disputa dinástica pelo trono da Síria, governada pelos Selêucidas, os sírios decidiram escolher Tigranes como o protetor de seu reino e ofereceram-lhe a coroa da Síria. Magadates foi nomeado como o seu governador em Antioquia. Em seguida, conquistou a Fenícia e a Cilícia, efetivamente colocando fim ao que sobrou do Império Selêucida. A fronteira sul do seu domínio chegou tão longe como Ptolemaida (atual Akko). Muitos dos habitantes de cidades conquistadas foram enviados para Tigranocerta.


O império de Tigranes estendia-se desde os Alpes Pônticos até à Mesopotâmia, e do Mar Cáspio ao Mediterrâneo. Tigranes aparentemente invadiu territórios tão distantes como os de Ecbátana, na Média, onde outrora ficara como prisioneiro, e tomou o elevado título de Rei dos reis (equivalente a imperador), que, de acordo com suas moedas, nem os reis partos haviam ousado usar. Desta forma, reivindicava a supremacia sobre o Oriente.

Apesar de toda a região ser oriental em todas as suas tradições, sob a influência de Cleópatra, a cultura e os costumes gregos foram introduzidos no império até um certo grau, mas não sem certa resistência dos tradicionais costumes orientais. Aos príncipes reais foram ensinadas a língua e as ciências gregas. Um teatro foi construído em Tigranocerta e o rei convidou atores gregos para fazerem apresentações na sua própria língua.

O rei Mitrídates VI do Ponto tinha encontrado refúgio na Armêlénia depois de enfrentar Roma, considerando o facto de que Tigranes era seu genro e aliado. O comandante romano, Lúculo, exigiu a Tigranes a deportação de Mitrídates da Arménia, o que Tigranes recusou. Se cumprisse a exigência romana, Tigranes estaria a aceitar tornar-se vassalo de Roma. A reacção de Lúculo foi um ataque surpresa. Eventualmente Mitrobazanes, um dos generais arménios, informou Tigranes sobre a intervenção romana. Tigranes ficou impressionado com a coragem de Mitrobazanes, tendo-o nomeado para comandar um exército contra Lúculo. Porém, Mitrobazanes foi derrotado e morto. Após essa derrota, Tigranes retirou-se para o norte da Arménia para reagrupar as suas forças, o que deixou Lúculo livre para colocar a capital Tigranocerta sob seu cerco. Quando Tigranes reuniu um grande exército, voltou a enfrentar Lúculo. Os reis de Adiabene, Atropatene, Ibéria e Albânia Caucasiana, vieram em auxílio a Tigranes após o seu apelo. Tendo assim organizado um exército, cujo número se estima tão elevado quanto 100 mil homens, e tendo conhecimento de que Lúculo mantinha o cerco à capital com uma força relativamente pequena, Tigranes ignorou o conselho de Mitrídates VI para cercar o inimigo e cortar o seu abastecimento e, em vez disso, só pensava em resgatar os seus tesouros. 6000 homens de sua cavalaria conseguiram furar as linhas inimigas durante a noite, trazendo para fora as mulheres e uma parte dos objetos de valor. Em 6 de outubro de 69 a.C., a força militar muito maior de Tigranes foi decisivamente derrotada pelo exército romano sob a liderança de Lúculo na Batalha de Tigranocerta. O tratamento que Tigranes deu aos habitantes levou os guardas da cidade descontentes a abrir as portas da cidade aos romanos, que haviam prometido que as mulheres e os bens dos cidadãos estrangeiros seriam poupados e que eles seriam repatriados para os seus respectivos países. A cidade foi, então, entregue à pilhagem. O espólio era enorme. Somente o Tesouro continha 8.000 talentos em moeda de ouro, sem contar outras riquezas. Cada soldado romano recebeu cerca de 800 dracmas como sua parte dos despojos. No teatro da cidade, ainda incompleto, Lúculo comemorou sua vitória. Tigranes escapou de ser capturado com uma pequena escolta, mas na fuga perdeu a sua tiara e diadema.
O poder romano predomina no Oriente - Lúculo nomeia Antíoco XIII Asiático como o novo governante da Síria.

Em outubro do ano seguinte (68 a.C.), os romanos aproximaram-se de Artaxata, a antiga capital. Tigranes II e Mitrídates VI combinaram as suas forças, formando um exército com cerca de 70.000 homens, mas foram estrondosamente derrotados. Mais uma vez, apesar da derrota, nenhum dos 2 foi capturado pelos romanos. A longa campanha e as dificuldades que as tropas de Lúculo tinham sofrido durante anos combinaram-se com a falta de recompensa na forma de pilhagem, o que gerou sucessivos motins entre as legiões em 68-67 a.C. Frustrado com o terreno acidentado do norte da Arménia e vendo a acentuada baixa de moral das suas tropas, Lúculo voltou ao sul para colocar a cidade de Nisibis sob cerco. Tigranes pensou que Nisibis iria aguentar e procurou recuperar as partes da Arménia que os romanos haviam capturado. As tropas de Lúculo agora recusam-se a obedecer ao seu comando, apenas concordando em defender posições. O Senado convocou Lúculo a Roma e enviou Pompeu para assumir o seu comando.

Em 67 a.C., Pompeu concentrou-se primeiramente em atacar Mitrídates enquanto Tigranes era distraído por um ataque dos partos em Gordiene. Fraates III, o rei parto, logo foi persuadido a levar as coisas um pouco mais longe do que uma anexação de Gordiene, quando um filho de Tigranes, com o mesmo nome, se juntou aos partos e convenceu Fraates a invadir a Arménia numa tentativa de substituir Tigranes, o pai, por Tigranes, o filho. Tigranes II decidiu não enfrentar diretamente a invasão em campo aberto, mas garantir que Artaxata fosse bem defendida, e retirou-se para a região montanhosa. Fraates logo percebeu que Artaxata não cairia sem um cerco prolongado. Uma vez que Fraates desistiu do seu ataque, Tigranes retornou da região alta e conduziu o seu filho traidor para fora da Arménia. Tigranes, o filho, então fugiu para junto de Pompeu. Em 66 a.C., Pompeu entrou na Arménia com o jovem Tigranes, e Tigranes, o Grande, agora com quase 75 anos, rendeu-se. Pompeu tratou-o generosamente e permitiu-lhe a manutenção do seu reino, porém despojado das suas conquistas, em troca de 6.000 talentos de prata. Tigranes assim tornou-se aliado (amicus et socius ) do povo romano. O seu filho infiel foi enviado para Roma como prisioneiro. Tigranes continuou a governar a Arménia como um aliado de Roma até sua morte em cerca de 55-54. Foi sucedido por Artavasdes II, seu filho.
Pedro Matos

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Re: Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#6 Mensagem por fernanrei » sábado mai 14, 2022 5:43 pm

Excelente texto :thumbs:
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Re: Arménia - Tigranes II - Tetrachalkon

#7 Mensagem por Pedro Leg » segunda mai 16, 2022 3:09 am

A moeda é magnifica não só pela estética como pelo testemunho historico que representa. Muitos parabéns !!
Coragem e Esperança

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